Parasita do Pulmão – Quiz II

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Parasita do Pulmão – Quiz I

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Parasita do Pulmão – como se diagnostica e como se tratam os cães?

Sinais clínicos

 

A Angiostrongilose canina pode manifestar-se de forma muito variável e, numa fase inicial de infecção, a Angiostrongilose pode até ser assintomática – ou seja, sem qualquer demonstração de alterações clínicas.

 

A sintomatologia pode ser ligeira e apresentar-se e de uma forma intermitente, em que os animais infetados nem sempre demonstram alterações clínicas ou apresentar-se de forma grave e com alterações potencialmente fatais em casos de infecção crónica.

 

Os sinais clínicos mais comuns dependem em certa parte da carga parasitária dos cães infectados, e estão associados ao ciclo de vida e desenvolvimento do parasita no interior dos hospedeiros definitivos, neste caso – o cão.

 

Assim, os sinais clínicos mais comuns em infecções pelo Parasita do Pulmão dizem respeito a alterações cardio-respiratórias, hematológicas (no sangue) e neurológicas (que afetam o sistema nervoso).

 

Sinais cardiorrespiratórios

 

  • tosse
  • dificuldade respiratória (dispneia)
  • respiração acelerada e superficial (taquipneia)
  • intolerância ao exercício
  • síncope (colapso)

 

Sinais neurológicos

 

  • depressão
  • paralisia de membros
  • dificuldades de locomoção
  • alterações oculares
  • cegueira
  • convulsões

 

Sinais hematológicos

(alterações sanguíneas), estão relacionados com a interferência nos processos de coagulação. Assim, pode(m) observar-se:

  • pequenos focos de hemorragia na pele (petéquias)
  • focos de maiores dimensões (equimoses) na pele e mucosas
  • hemorragias extensas
  • anemia

 

Outros factores que podem influenciar os sinais clínicos são a idade, a presença de doenças concomitantes e o estado imunitário dos animais. Geralmente, pela sua natural curiosidade e comportamento, os animais mais jovens (com menos de um ano de idade) são os mais afectados. Contudo, podem observar-se casos de infecção pelo Parasita do Pulmão em cães de todas as idades.

 

O facto de os animais também poderem apresentar outras doenças concomitantes (doenças cardíacas ou respiratórias, endócrinas, etc) pode agravar a manifestação dos sinais clínicos de Angiostrongilose.

 

Diagnóstico

 

Uma vez que um cão infectado com o Parasita do Pulmão pode apresentar uma série de sinais pouco específicos, os mesmos têm de ser considerados em conjunto. Desta forma, é comum recorrer a uma série de testes desde análises sanguíneas a exames radiográficos e de imagem avançada.

 

Contudo, existem métodos capazes de indicar um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose.

 

Coprologia

Cultura e testes às fezes dos animais e, mais concretamente, através de um método chamado teste de Baermann. A presença de parasitas detetados por este método confirma o diagnóstico, mas a ausência de larvas não exclui que possa existir a doença.

 

Serologia

É também possível alcançar um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose através de testes serológicos. Estes testes são mais rápidos que a coprologia e permitem a detecção de antigénios específicos do parasita Angiostrongylus vasorum no sangue de animais infectados.

 

Outros

Outros métodos disponíveis, mas menos comuns, incluem métodos moleculares (como o PCR) ou lavagens broncoalveolares.

 

Imagiologia

Uma vez que os métodos radiográficos (radiografias e imagem avançada como TAC) têm frequentemente resultados pouco específicos, não permitem um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose. No entanto, são úteis e muito importantes para compreender as lesões existentes (a nível pulmonar e neurológico, por exemplo).

A ecocardiografia pode também ser útil na avaliação de potenciais lesões às câmaras cardíacas, válvulas e vasos, uma vez que o parasita se aloja na artéria pulmonar e no pulmão.

 

Análises sanguíneas

As alterações hematológicas e bioquímicas em animais infectados com o Parasita do Pulmão parecem ser algo variáveis e por isso, também pouco específicas. Ainda assim, poderão ser encontradas alterações sugestivas de processos inflamatórios ou infecciosos e elevações nas proteínas (entre as quais as globulinas), podendo levantar então uma suspeita para respostas imunitárias e/ou parasitárias.

 

Tratamento

 

Felizmente a Angiostrongilose tem tratamento, e que em primeiro lugar deve ser orientado à eliminação do parasita e ao controlo dos sinais clínicos. O Parasita do Pulmão é sensível a alguns agentes antiparasitários e existem diferentes protocolos que podem ser utilizados para o seu controlo.

 

A necessidade de internamento dos animais infectados depende da gravidade das lesões e dos sinais clínicos manifestados. No entanto, e ainda que possam ser ligeiros, o controlo dos sinais clínicos é essencial de forma a garantir uma recuperação célere e a diminuição da possibilidade de lesões permanentes.

 

Após tratamento, a maioria dos animais infectados recupera completamente. O tempo de recuperação é variável e depende da gravidade das lesões e da carga parasitária. Contudo, quanto mais precoce for o tratamento melhores as possibilidades de recuperação.

 

Prevenção

 

Em áreas onde se sabe que existe possibilidade de infeção, o melhor procedimento é a prevenção, administrando aos nossos cães desparasitantes adequados, de forma regular. Na prevenção específica de Angiostrongylus vasorum, recomenda-se a utilização mensal de desparasitantes internos com efeito reconhecido sobre o parasita A. vasorum.

 

Outras medidas de prevenção passam por evitar a disseminação dos parasitas que pode, e deve, ser feita através da recolha das fezes dos nossos animais. Desta forma, a possibilidade de infecção de outros animais baixa e o ciclo de vida do parasita é interrompido.

 

A melhor recomendação é a prevenção – garantir que mantém a desparasitação do seu cão em dia, recorrendo a produtos adequados e não esquecendo a sua administração.

 

É importante lembrar que a administração dos antiparasitários  deve ser ajustada ao peso do seu cão, aos perigos específicos da sua zona geográfica e ao estilo de vida que proporciona ao seu cão (acesso exterior, contacto com espaços verdes, etc).

 

Na dúvida, consulte o seu Médico Veterinário que lhe indicará a melhor solução para manter os seus animais de estimação protegidos e seguros.

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Angiostrongylus vasorum – o “parasita do pulmão”

Os parasitas internos são já conhecidos de todos nós. Uns aparecem com maior frequência do que outros, alguns aparecem relacionados com a idade ou estilo de vida de cada animal e há parasitas que podem ter consequências mais graves nos nossos animais. Nesta última categoria aparece o parasita de que hoje falamos: o Angiostrongylus vasorum, o parasita do pulmão.

O Angiostrongylus é um nemátode (verme redondo) responsável por provocar uma doença nos cães denominada Angiostrongilose canina. Este parasita necessita de diferentes tipos de hospedeiros para se desenvolver e reproduzir. Requer hospedeiros definitivos (animais que são parasitados pelos parasitas adultos) e hospedeiros intermediários (animais onde se encontram formas larvares ainda em desenvolvimento).

Neste caso os hospedeiros definitivos são os canídeos (cão e raposa) e os hospedeiros intermediários são o caracol e a lesma.

As raposas são também hospedeiros reservatórios deste parasita. Com o aumento da população de raposas (animais silvestres sem acesso a tratamento), o número de cães diagnosticados com Angiostrongilose também tem vindo a aumentar.

Ciclo de Vida do Angiostrongylus vasorum

O Angiostrongylus vasorum, ou Parasita do Pulmão, é um pequeno verme que, desde o ovo ao parasita adulto, passa por 5 estádios larvares (L1, L2, L3, L4 e L5). Assim se processa o seu ciclo de vida:

1. Os canídeos infetam-se ingerindo caracóis ou lesmas contaminados com formas larvares (L3). Os canídeos também se infetam ingerindo água ou erva húmida contaminada pelas secreções de caracóis e lesmas.

2. As larvas ingeridas vão até ao intestino delgado do cão e migram para os gânglios linfáticos onde permanecem até dar origem a formas larvares mais desenvolvidas (L4 e depois L5).

3. As larvas depois migram, através do sistema linfático, até entrarem na corrente sanguínea. Atingem o ventrículo direito e as artérias pulmonares. É aqui que ocorre o desenvolvimento final e os parasitas atingem a sua forma adulta.

4. No ventrículo direito e artérias pulmonares do cão, passam a existir formas parasitárias adultas, a reproduzir-se ativamente. As fêmeas de Angiostrongylus vasorum libertam ovos na corrente sanguínea. Os ovos atingem os capilares pulmonares onde se inicia o desenvolvimento de novas larvas (L1).

5. Estas novas larvas atravessam as paredes dos brônquios e os alvéolos pulmonares, entrando nos pulmões. O cão tosse, o que ajuda as larvas a “subirem” até à faringe, onde são engolidas. As L1 percorrem todo o trato gastrointestinal até serem eliminadas para o exterior juntamente com as fezes. Estas larvas conseguem manter-se vivas durante vários dias.

6. Os caracóis e lesmas ingerem estas fezes contaminadas. Dentro deles, as pequenas larvas crescem (de L1 para L2 e depois L3) até se tornarem formas larvares infetantes. A partir daí, os parasitas estão prontos para infetar um novo canídeo.

Os parasitas adultos podem manter-se vivos durante todo o tempo de vida do seu hospedeiro. Deste modo, as infeções têm tendência a ser crónicas.

Embora qualquer cão possa ser afetado por este parasita, os cachorros são os mais suscetíveis. Pode dever-se ao facto de os cachorros serem mais curiosos e quererem experimentar tudo com a boca (incluindo ingerir caracóis e lesmas). Por este motivo, é fundamental haver um cuidado especial com o programa de desparasitação dos cães mais novos.

 

Quais são as lesões que os cães infectados podem sofrer?

 

Um cão com Parasita do Pulmão pode estar sem sintomas durante muito tempo. As alterações podem ser ligeiras, no início da doença. Mas, em estados avançados, o parasita pode causar a morte do seu hospedeiro.

Ao conhecermos o trajeto do parasita no interior do organismo do cão, conseguimos compreender melhor as lesões que podem surgir. As principais alterações verificadas na Angiostrongilose são, cardiorrespiratórias, hematológicas e neurológicas. Como os sintomas inicialmente podem ser ligeiros, é difícil aos tutores detetarem alterações que indiquem que o seu cão necessite de ajuda médica. Assim, muitos cães só são diagnosticados quando a doença alcançou já uma fase crónica, mais grave.

Que alterações podem ocorrer no corpo do nosso cão?

  • Alterações Cardiorrespiratórias
    • os ovos dos parasitas que atingem os pulmões e a migração das larvas causam irritação e inflamação. O aspeto dos pulmões altera-se e com isto surge sintomatologia respiratória (desde tosse ligeira, até dificuldade respiratória severa).
    • os parasitas adultos no interior das artérias pulmonares e do ventrículo direito, levam a um esforço no trabalho cardíaco e lesão no interior destes vasos. Há risco de trombose, hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca congestiva e hemorragias pulmonares.
  • Alterações Hematológicas e de Coagulação
    • diversos tipos de hemorragias (desde pequenas e localizadas, até severas e que colocam o animal em risco de vida).
    • podem ocorrer perdas de sangue significativas na urina, através do nariz ou boca, hemorragias na pele (petéquias e equimoses) ou nos olhos.
  • Alterações neurológicas
    • os problemas respiratórios e cardíacos podem impedir irrigação sanguínea e oxigenação cerebral suficiente.
    • os problemas de coagulação e hematológicos podem causar hemorragia ou trombose cerebral.
    • excecionalmente, pode ocorrer a migração de larvas parasitárias até ao cérebro do canino afectado (denominadas migrações erráticas dos parasitas)
  • Morte: pode ocorrer, especialmente quando não se previne nem se deteta a doença atempadamente. Os eventos responsáveis são geralmente a insuficiência respiratória muito grave ou hemorragias severas.

 

Zonas de risco

 

O Parasita do Pulmão foi primeiro identificado em França. Durante muitos anos, os casos descritos de Angiostrongilose canina estavam limitados a zonas muito específicas e bem localizadas. O parasita aparece em zonas onde o clima é temperado e húmido.

Com as alterações climáticas, o aumento de cães a viajarem com os seus tutores de um país para outro e o incremento da população de raposas próximas das zonas urbanas, tem-se visto um aumento dispersão da Angiostrongilose.

Em Portugal já foram detetados casos positivos no Norte, Centro e Sul do país. Há indícios de que o parasita se encontra disperso por todo o território nacional, considerando-se uma doença parasitária emergente. É muito provável que vejamos nos próximos tempos cada vez mais cães com esta doença.

É muito importante para a saúde dos nossos cães que cumpramos planos de desparasitação eficazes que previnam também o Parasita do Pulmão. Só desta forma podemos manter protegidos os nossos amigos e travar a dispersão parasitária pelo território nacional.

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