Leucemia felina – cuidados com o gato FeLV-positivo e como prevenir a doença

Infelizmente, ainda não existem tratamentos capazes de curar a Leucemia Felina (FeLV). Por isso, ter um gato com Leucemia Felina pode ser um desafio. Contudo, tomando os devidos cuidados em casa e com o devido aconselhamento e acompanhamento médico-veterinário, é possível garantir uma boa qualidade de vida a gatos FeLV-positivo.

 

Desta forma, a confirmação que um gato é FeLV-positivo, por si só, não deve ser motivo para considerar a eutanásia.

 

Considerações ambientais

 

Uma consideração importante no maneio de gatos com Leucemia Felina é a gestão do espaço e interacção com outros gatos. Uma vez confirmado que um gato tem Leucemia, o acesso deste ao exterior deve ser totalmente restringido e, se possível, que seja o único gato em casa.

A restrição do acesso ao exterior previne que outros gatos possam ser infectados. Esta medida reduz os comportamentos de risco que aumentam a exposição ao vírus. Além disso, também reduz potenciais infecções secundárias para o gato FeLV-positivo.

 

Quando há mais do que um gato em casa, todos os gatos devem ser testados para Leucemia.

Dentro de casa, a separação entre gatos FeLV-positivo e gatos FeLV-negativo deve ser considerada. Tendo em conta as propriedades do agente infeccioso e as suas formas de contágio, esta medida reduz a possibilidade de infecção e de gatos não infectados e é uma das formas de prevenção.

A introdução de novos gatos está desaconselhada, uma vez que isso pode provocar alterações na estrutura social. Estas alterações podem desencadear comportamentos de risco, como lutas e mordeduras.

 

Gatos inteiros FeLV-positivo, devem ser castrados. A castração evita comportamentos de risco de exposição e transmissão do vírus como fugas, lutas e estilos de vida errantes.

 

Nas habitações com mais de um gato, as zonas de alimentação devem estar separadas, com comedouros e bebedouros individuais, para animais infectados e não infectados. A passagem ou troca de objectos entre as mesmas deve ser evitada.

 

O vírus não sobrevive por muito tempo no meio ambiente sendo facilmente inactivado por detergentes e desinfectantes. Assim, a higiene das caixas de areia e de outros objectos com que os gatos contactam, pode ajudar a diminuir a carga viral.

 

Infelizmente, nem sempre é possível isolar gatos FeLV-positivo de gatos FeLV-negativo. Nestes casos, é recomendada a vacinação dos gatos não infectados.

 

Considerações na saúde de gatos FeLV-positivo

 

Como resultado de um sistema imunitário comprometido, os gatos FeLV-positivo podem ser particularmente vulneráveis a outras doenças.

Desta forma, é importante que os tutores saibam reconhecer alguns dos sinais mais comuns indicativos de doença em desenvolvimento:

 

  • Alterações no consumo de água e alimento
  • Eliminação (micção e defecação) inadequada
  • Alterações nos níveis de actividade
  • Alterações nos hábitos de dormir
  • Perda de peso
  • Alterações na vocalização
  • Stress

 

Gatos FeLV-positivo que não demonstrem sinais clínicos de doença devem manter um contacto próximo com o Médico Veterinário e fazer exames físicos completos e regulares. A avaliação de parâmetros sanguíneos e bioquímicos deve ser realizada, no mínimo, uma vez por ano.

 

Os tutores devem também ter particular atenção com a alimentação dos seus gatos. A alimentação de gatos com Leucemia Felina deve ser equilibrada, com proteína de boa qualidade, poucos hidratos de carbono e moderada em gorduras e no teor de humidade. As dietas cruas são desaconselhadas em gatos FeLV-positivo, pelo risco de exposição dos gatos a doenças bacterianas e parasitárias associadas a este tipo de dieta.

 

Apesar de se aconselhar a restrição total do acesso à rua, a vacinação de gatos FeLV-positivo contra outras doenças deve ser mantida. Da mesma forma, o controlo antiparasitário deve ser realizado com a devida frequência.

 

Nos gatos FeLV-positivo que demonstrem sinais de doença, a intervenção terapêutica precoce é a chave para o sucesso terapêutico. A maioria dos gatos FeLV-positivo consegue responder eficazmente aos tratamentos. Contudo, estes gatos poderão necessitar de planos de tratamentos mais longos e agressivos, sob monitorização rigorosa, até à sua recuperação.

 

Prevenção da infecção e vacinação

 

Existem diversas vacinas disponíveis para protecção contra FeLV, no entanto nenhuma garante protecção a 100%. Apesar de não impedir uma possível infecção, a vacinação de gatos saudáveis aumenta a probabilidade de neutralizar a infecção. Sempre que possível, devem ser administradas vacinas sem adjuvantes, de forma a minimizar a inflamação local resultante da inoculação.

Não existe qualquer benefício em vacinar gatos contra Leucemia Felina quando estes já são FeLV-positivo. É, por isso, importante testar os gatos de forma a identificar e isolar os que apresentam virémia.

 

Devem ser testados:

 

  • Todos os gatos, antes de serem introduzidos num ambiente doméstico;
  • Gatos de interior com acesso ao exterior ou que partilhem casa com gatos com acesso ao exterior;
  • Gatos que partilhem ambientes com gatos FeLV-positivo, sobretudo se manifestarem sinais de doença;
  • Gatos de interior que possam ter sido expostos a outros gatos com estado incerto de FeLV

 

A decisão de vacinar os gatos para Leucemia deve ser baseada numa análise de risco de infecção e do estilo de vida de cada gato.

 

Quando a vacinação é considerada apropriada, são necessárias duas administrações da vacina. A primeira dose é administrada a partir das 8 semanas de idade e a segunda cerca de 3-4 semanas depois. As novas indicações de vacinação consideram que um reforço pode ser realizado entre os 6 e os 12 meses após a última vacinação, e posteriormente a vacina poderá ser repetida na eventualidade de se manter o risco de exposição a FeLV.

 

Por norma, considera-se importante a vacinação de gatos que tenham acesso ao exterior ou que partilhem habitação com gatos com acesso ao exterior, gatos que habitem com mais do que um gato (sem testes prévios de FeLV) e de gatos que vivam com gatos FeLV-positivo.

 

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Leucemia Felina (FeLV)

Leucemia felina (FeLV) – o que é e como se transmite

A Leucemia Felina (FeLV) é, de entre todas as doenças infeciosas que podem afectar os gatos, a mais comum em todo o mundo.

Leucemia é um termo conhecido de quase todos como sendo uma doença oncológica do ser humano. Por isso, é importante esclarecer que quando falamos de Leucemia felina estamos a falar de uma doença causada por um vírus que afecta felinos, e não de uma doença oncológica /tumoral.

 

O que é o FeLV?

 

O vírus da Leucemia Felina é um Retrovírus, que SÓ infeta felinos.

A principal forma de contágio é através do contato prolongado com secreções de gatos infetados, tais como:

  • saliva
  • sangue
  • secreções nasais
  • urina
  • fezes
  • leite materno

As formas mais habituais de contágio ocorrem através de mordedura, lavagem mútua entre gatos e partilha continuada e simultânea de comedouros.

Como este vírus não sobrevive com facilidade no ambiente, a transmissão através de fezes, urina, aerossóis ou o contato com objectos que tenham sido contaminados com secreções de gatos infetados não é tão eficaz.

A transmissão de mãe para filhos pode ocorrer quer através da placenta, quer através da amamentação. O contágio também pode ocorrer por transmissão sexual, embora seja menos comum.

 

Grupos de Risco

 

Portanto, os animais em maior risco de serem infetados são aqueles expostos a gatos infetados quer por contato direto e prolongado, quer através de dentadas durante lutas.

Gatinhos e animais jovens são mais sensíveis ao vírus, por isso, a doença é mais usual em gatos entre 1-6 anos. Gatos machos que tenham acesso ao exterior de forma não supervisionada também correm maior risco.

Gatinhos infetados dentro do útero, que sobrevivam ao parto, normalmente demonstram um desenvolvimento muito rápido da doença.

 

Como surgem os primeiros sinais de Leucemia Felina (FeLV)?

 

De forma simplificada, ao infetar um gato, o vírus do FeLV inicia a sua multiplicação na zona da boca e faringe e dissemina-se por todo o corpo do animal até atingir a medula óssea.

Os glóbulos brancos e plaquetas, produzidos e libertados na corrente sanguínea, “transportam” o vírus por todo o corpo até este chegar às diferentes glândulas corporais. As glândulas salivares são exemplo disso e este processo dura, no mínimo, cerca de um mês.

Os efeitos adversos no corpo do gato podem ser vários. Normalmente surgem estados de deficiência imunitária grave (perda das defesas naturais contra infeções), doenças oncológicas (p.ex. linfoma) e alterações sanguíneas.

Ao ficarem com o sistema imunitário debilitado, os gatos infetados não reagem eficazmente a outras infeções. Por este motivo, bactérias, fungos e outros vírus podem causar doenças severas por infeção secundária.

Em estados iniciais, os gatos infetados não demonstram qualquer tipo de sintoma. Porém, à medida que o tempo vai passando, a saúde deteriora-se e surgem sintomas devido a infeções secundárias ou desenvolvimento de problemas tumorais.

 

Sinais clínicos

 

Os sinais são normalmente inespecíficos, sendo os mais usuais:

  • anorexia (perda de apetite)
  • perda de peso
  • depressão
  • aumento dos gânglios linfáticos
  • pelagem com mau aspeto
  • anemia
  • sintomatologia digestiva (vómitos, diarreia persistente, que usualmente estão mais relacionadas com linfoma digestivo)
  • feridas na boca
  • feridas nos olhos
  • sintomas respiratórios (rinite, dificuldade respiratória e derrame pleural, maioritariamente relacionado com linfoma do mediastino)
  • icterícia – coloração amarelada na pele, esclera e mucosas (relacionada com destruição de glóbulos vermelhos ou patologia hepática)
  • sintomas neurológicos (perda de equilíbrio, incoordenação motora, convulsões)
  • Insuficiência renal (associado a linfoma renal ou glomerulonefrite)
  • nas fêmeas podem verificar-se abortos ou nascimento de gatinhos já mortos e problemas de fertilidade
  • febre persistente

Os gatos com FeLV podem apresentar apenas alguns destes sintomas ou até nenhum. A presença ou não de sintomas, deve-se ao facto de os gatos poderem reagir de diferentes formas.

 

Formas da doença

 

  • em casos raros o sistema imunitário do gato consegue eliminar o vírus (não havendo progressão da doença);
  • uma pequena percentagem de gatos consegue eliminar o vírus da sua corrente sanguínea, mas não do seu corpo. São animais que enquanto se mantenham neste estado normalmente não mostram sinais de doença. Contudo, pode ocorrer “ativação” do vírus novamente, passando a apresentar sintomatologia e a poder infetar outros gatos;
  • A maioria mostra quadros progressivos da doença e pode infetar outros gatos, pois apresentam o vírus em circulação sanguínea permanentemente (animais virémicos). Nestes casos, surgem sintomas e a doença vai evoluindo continuamente.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico de FeLV faz-se através de testes sanguíneos que detetam a presença de uma proteína do vírus. Podem ser realizados na clínica, através de um teste rápido, ou em laboratório.

Consoante a sintomatologia do paciente, devem realizar-se exames auxiliares de diagnóstico para diagnóstico de infeções secundárias ou processos oncológicos:

  • Análises bioquímicas e hemograma
  • Radiografia
  • Ecografia
  • Citologia ou biópsia de: massas, gânglios aumentados ou medula óssea

 

Tratamento e Prognóstico

 

Infelizmente, não existe ainda nenhum tratamento eficaz capaz de eliminar completamente o vírus da Leucemia Felina.

O recurso a medicamentos antivirais e a terapêuticas que estimulam o sistema imunitário tem sido descrito e usado. No entanto, existem efeitos secundários e as melhorias clínicas não são muito significativas.

Assim, muitos Gatos FeLV-positivo vivem sem grandes complicações durante alguns anos. Sobretudo, deve ter-se especial atenção com os cuidados profiláticos e o bom maneio alimentar e ambiental (mantendo níveis de stress reduzidos). O mais importante é evitar infeções secundárias, mantendo os animais infetados em casa, sem contato com o exterior ou com outros gatos (evitando que apanhem infeções secundárias e impedindo a disseminação do FeLV a outros gatos).

A Leucemia Felina é, sobretudo, uma doença progressiva e mortal. Como resultado, a esperança de vida varia entre 2 a 3 anos, após o diagnóstico. A progressão desta patologia é muito mais rápida em gatinhos.

Acima de tudo, pela gravidade e agressividade desta patologia, é recomendado que se procedam a medidas preventivas como a vacinação. Fale com um Médico Veterinário para saber como pode proteger o seu gato desta doença fatal.

 

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Parasita do coração – diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico de doença do parasita do coração é simples

 

O diagnóstico de dirofilariose pode ser realizado com base na história clínica e evolução dos sintomas, juntamente com alguns exames laboratoriais.

 

Na maioria dos casos, um simples teste sanguíneo é suficiente para fazer o diagnóstico de doença do parasita do coração.

 

Atualmente é comum recorrer a testes serológicos para detetar a presença de parasitas adultos. Apesar de ser um teste muito fiável e que deve ser sempre realizado,  a sua validade depende da presença de parasitas fêmeas e de uma certa carga parasitária.

 

O parasita habita nos tecidos e órgãos do animal sob ambas as formas, imatura e adulta. Por isso, com uma amostra de sangue também é possível diagnosticar a doença, observando-se as formas imaturas ao microscópio.

 

Outras análises sanguíneas, como a hematologia e parâmetros bioquímicos, serão sempre úteis e necessárias para avaliar o estado de saúde dos animais afetados e se é seguro iniciar um tratamento.

 

Além disso, realizar radiografias torácicas e ecocardiografia são importantes para avaliar lesões pulmões, nos vasos e no coração – locais onde as formas adultas do parasita se alojam.

 

O tratamento não é livre de riscos

 

O tratamento do parasita do coração tem por objetivo melhorar a condição clínica e eliminar os parasitas adultos e formas imaturas, contudo não é livre de riscos.

 

Os parasitas podem ser eliminados através da administração de fármacos. Contudo, é necessário garantir o repouso absoluto do cão durante algumas semanas – pois existe o risco de causar embolias.

 

Ao morrerem, os parasitas vão sendo decompostos e encaminhados até aos pulmões, onde se alojam em pequenos vasos e são, eventualmente, eliminados pelo organismo.

 

É durante o período de eliminação dos parasitas adultos, que fragmentos dos mesmos podem causar embolias – sobretudo se a carga parasitária for elevada e houver lesões pulmonares concomitantes.

 

Assim, o tratamento exige o acompanhamento e monitorização contínua dos animais pelo Médico Veterinário.

 

A melhor aposta é a prevenção

 

A doença do parasita do coração, é uma doença com distribuição global e existem áreas de risco onde a doença é altamente prevalente – sobretudo em regiões de litoral, com clima quente e temperado ou tropical.

 

Em Portugal, as regiões da Madeira, Ribatejo, Alentejo e Algarve são consideradas endémicas, e por isso de alto risco de infeção.

 

A melhor forma de evitar o risco de infeção é através da prevenção. A prevenção deve ser feita durante todo o ano e não apenas durante os meses de maior atividade dos mosquitos.

 

Existem diversos métodos de prevenção contra a o parasita do coração, desde produtos veterinários em comprimidos, spot-on ou mesmo injeções de libertação lenta que atuam até 6 meses.

 

Antes de iniciar um protocolo preventivo de sempre aconselhar-se com o Médico Veterinário, uma vez que o despiste prévio da doença é essencial.

 

Um bom plano preventivo passa também pela utilização de repelentes de mosquitos no ambiente e por abrigar os animais de exterior nos períodos de atividade dos mosquitos – ao amanhecer e ao entardecer.

 

Consulte o seu Médico Veterinário, ele poderá indicar quais as medidas mais adequadas ao seu cão, tendo presente o local onde vive, a prevalência da doença e o estilo de vida do seu animal.

 

 

 

 

 

 

 

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Dirofilariose – a doença do “parasita do coração”

A dirofilariose é uma doença mundialmente comum e presente no nosso país, causada pelo parasita Dirofilaria. Existem diferentes espécies deste verme redondo, no entanto, as mais comuns são a Dirofilaria immitis e a Dirofilaria repens.

A forma mais usual e grave é causada por D. immitis. Por muitos denominada doença do “parasita do coração”, a dirofilariose é transmitida através da picada de mosquitos infetados com larvas de Dirofilaria.

Esta doença afeta essencialmente cães e felinos (domésticos e silvestres). No entanto, os humanos também podem ser infetados com o parasita, apesar de nestes casos o parasita não conseguir atingir a sua forma adulta.

Os cães são suscetíveis à infeção independentemente da idade. Já os gatos são os hospedeiros mais resistentes à doença e apresentam sintomatologia menos específica, sendo que muitos permanecem assintomáticos durante longos períodos. Por este motivo, o diagnóstico nos gatos é mais difícil.

 

Como se transmite a Dirofilariose?

 

Esta doença não se transmite diretamente de um animal para outro, pelo que é necessário um hospedeiro intermediário, que neste caso é o mosquito. No nosso país existem várias espécies diferentes de mosquitos capazes de transmitir a doença.

Quando um mosquito infetado com larvas de Dirofilaria pica um cão, as larvas são injetadas na corrente sanguínea. Consequentemente, passados cerca de 70 dias, as larvas atingem as artérias pulmonares do cão, onde se continuam a desenvolver. Ao fim de 120 dias, o parasita atinge a sua forma adulta ficando alojado nas artérias pulmonares e no coração. A reprodução parasitária inicia-se e novas larvas são libertadas para a corrente sanguínea. Estas larvas são depois ingeridas por mosquitos que se alimentem do sangue de animais infetados. Completa-se assim o ciclo de vida deste parasita.

 

Quais são os sintomas da Dirofilariose?

 

A Dirofilariose é uma doença grave e potencialmente fatal, especialmente nos cães.

Os sintomas surgem como consequência das lesões que estes parasitas causam no interior dos órgãos onde se alojam, bem como da obstrução que causam ao fluxo sanguíneo.

É uma doença crónica de progressão lenta. Numa fase inicial, os animais são assintomáticos. Os sintomas surgem numa fase já crónica da infeção, sendo os mais usuais:

  • cansaço
  • intolerância ao exercício
  • dificuldade respiratória
  • tosse persistente
  • síncope (desmaio)
  • perda de peso
  • falta de apetite
  • insuficiência cardíaca congestiva grave com aparecimento de edemas generalizados (abdómen distende-se muito – ascite)

Em casos severos da doença, principalmente nos casos de insuficiência cardíaca congestiva grave, surgem complicações muito severas, como tromboembolismos e síndrome da veia cava. Nestes casos a morte do animal é quase sempre inevitável. Uma vez instalados sintomas severos, o prognóstico é reservado, sendo a resposta ao tratamento muito limitada.

 

Quais as zonas geográficas de Portugal onde a doença é mais comum?

 

A Dirofilariose existe em quase todo o mundo, afetando principalmente zonas quentes ou temperadas e húmidas.

No nosso país, embora se registem casos em quase todo o território (à exceção dos Açores) a distribuição da doença é descontínua e endémica em determinadas zonas como:

  • zonas costeiras
  • regadio (baía do Sado, Vale to Tejo e Sorraia, zona do Mondego/Coimbra)
  • Ilha da Madeira.

Porém com as alterações climáticas e aumento da temperatura global, verifica-se uma tendência para a dispersão deste parasita. Por este motivo, veremos cada vez   mais casos fora destas zonas identificadas.

Todos os tutores, que vivam ou que viagem/passem férias com os seus animais em zonas de risco, deverão aconselhar-se com o veterinário assistente e realizar prevenção de Dirofilariose.

Tal como em outras doenças, a prevenção é importante e salva vidas!

 

 

 

 

 

 

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Parasita do Pulmão – como se diagnostica e como se tratam os cães?

Sinais clínicos

 

A Angiostrongilose canina pode manifestar-se de forma muito variável e, numa fase inicial de infecção, a Angiostrongilose pode até ser assintomática – ou seja, sem qualquer demonstração de alterações clínicas.

 

A sintomatologia pode ser ligeira e apresentar-se e de uma forma intermitente, em que os animais infetados nem sempre demonstram alterações clínicas ou apresentar-se de forma grave e com alterações potencialmente fatais em casos de infecção crónica.

 

Os sinais clínicos mais comuns dependem em certa parte da carga parasitária dos cães infectados, e estão associados ao ciclo de vida e desenvolvimento do parasita no interior dos hospedeiros definitivos, neste caso – o cão.

 

Assim, os sinais clínicos mais comuns em infecções pelo Parasita do Pulmão dizem respeito a alterações cardio-respiratórias, hematológicas (no sangue) e neurológicas (que afetam o sistema nervoso).

 

Sinais cardiorrespiratórios

 

  • tosse
  • dificuldade respiratória (dispneia)
  • respiração acelerada e superficial (taquipneia)
  • intolerância ao exercício
  • síncope (colapso)

 

Sinais neurológicos

 

  • depressão
  • paralisia de membros
  • dificuldades de locomoção
  • alterações oculares
  • cegueira
  • convulsões

 

Sinais hematológicos

(alterações sanguíneas), estão relacionados com a interferência nos processos de coagulação. Assim, pode(m) observar-se:

  • pequenos focos de hemorragia na pele (petéquias)
  • focos de maiores dimensões (equimoses) na pele e mucosas
  • hemorragias extensas
  • anemia

 

Outros factores que podem influenciar os sinais clínicos são a idade, a presença de doenças concomitantes e o estado imunitário dos animais. Geralmente, pela sua natural curiosidade e comportamento, os animais mais jovens (com menos de um ano de idade) são os mais afectados. Contudo, podem observar-se casos de infecção pelo Parasita do Pulmão em cães de todas as idades.

 

O facto de os animais também poderem apresentar outras doenças concomitantes (doenças cardíacas ou respiratórias, endócrinas, etc) pode agravar a manifestação dos sinais clínicos de Angiostrongilose.

 

Diagnóstico

 

Uma vez que um cão infectado com o Parasita do Pulmão pode apresentar uma série de sinais pouco específicos, os mesmos têm de ser considerados em conjunto. Desta forma, é comum recorrer a uma série de testes desde análises sanguíneas a exames radiográficos e de imagem avançada.

 

Contudo, existem métodos capazes de indicar um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose.

 

Coprologia

Cultura e testes às fezes dos animais e, mais concretamente, através de um método chamado teste de Baermann. A presença de parasitas detetados por este método confirma o diagnóstico, mas a ausência de larvas não exclui que possa existir a doença.

 

Serologia

É também possível alcançar um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose através de testes serológicos. Estes testes são mais rápidos que a coprologia e permitem a detecção de antigénios específicos do parasita Angiostrongylus vasorum no sangue de animais infectados.

 

Outros

Outros métodos disponíveis, mas menos comuns, incluem métodos moleculares (como o PCR) ou lavagens broncoalveolares.

 

Imagiologia

Uma vez que os métodos radiográficos (radiografias e imagem avançada como TAC) têm frequentemente resultados pouco específicos, não permitem um diagnóstico definitivo de Angiostrongilose. No entanto, são úteis e muito importantes para compreender as lesões existentes (a nível pulmonar e neurológico, por exemplo).

A ecocardiografia pode também ser útil na avaliação de potenciais lesões às câmaras cardíacas, válvulas e vasos, uma vez que o parasita se aloja na artéria pulmonar e no pulmão.

 

Análises sanguíneas

As alterações hematológicas e bioquímicas em animais infectados com o Parasita do Pulmão parecem ser algo variáveis e por isso, também pouco específicas. Ainda assim, poderão ser encontradas alterações sugestivas de processos inflamatórios ou infecciosos e elevações nas proteínas (entre as quais as globulinas), podendo levantar então uma suspeita para respostas imunitárias e/ou parasitárias.

 

Tratamento

 

Felizmente a Angiostrongilose tem tratamento, e que em primeiro lugar deve ser orientado à eliminação do parasita e ao controlo dos sinais clínicos. O Parasita do Pulmão é sensível a alguns agentes antiparasitários e existem diferentes protocolos que podem ser utilizados para o seu controlo.

 

A necessidade de internamento dos animais infectados depende da gravidade das lesões e dos sinais clínicos manifestados. No entanto, e ainda que possam ser ligeiros, o controlo dos sinais clínicos é essencial de forma a garantir uma recuperação célere e a diminuição da possibilidade de lesões permanentes.

 

Após tratamento, a maioria dos animais infectados recupera completamente. O tempo de recuperação é variável e depende da gravidade das lesões e da carga parasitária. Contudo, quanto mais precoce for o tratamento melhores as possibilidades de recuperação.

 

Prevenção

 

Em áreas onde se sabe que existe possibilidade de infeção, o melhor procedimento é a prevenção, administrando aos nossos cães desparasitantes adequados, de forma regular. Na prevenção específica de Angiostrongylus vasorum, recomenda-se a utilização mensal de desparasitantes internos com efeito reconhecido sobre o parasita A. vasorum.

 

Outras medidas de prevenção passam por evitar a disseminação dos parasitas que pode, e deve, ser feita através da recolha das fezes dos nossos animais. Desta forma, a possibilidade de infecção de outros animais baixa e o ciclo de vida do parasita é interrompido.

 

A melhor recomendação é a prevenção – garantir que mantém a desparasitação do seu cão em dia, recorrendo a produtos adequados e não esquecendo a sua administração.

 

É importante lembrar que a administração dos antiparasitários  deve ser ajustada ao peso do seu cão, aos perigos específicos da sua zona geográfica e ao estilo de vida que proporciona ao seu cão (acesso exterior, contacto com espaços verdes, etc).

 

Na dúvida, consulte o seu Médico Veterinário que lhe indicará a melhor solução para manter os seus animais de estimação protegidos e seguros.

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Angiostrongylus vasorum – o “parasita do pulmão”

Os parasitas internos são já conhecidos de todos nós. Uns aparecem com maior frequência do que outros, alguns aparecem relacionados com a idade ou estilo de vida de cada animal e há parasitas que podem ter consequências mais graves nos nossos animais. Nesta última categoria aparece o parasita de que hoje falamos: o Angiostrongylus vasorum, o parasita do pulmão.

O Angiostrongylus é um nemátode (verme redondo) responsável por provocar uma doença nos cães denominada Angiostrongilose canina. Este parasita necessita de diferentes tipos de hospedeiros para se desenvolver e reproduzir. Requer hospedeiros definitivos (animais que são parasitados pelos parasitas adultos) e hospedeiros intermediários (animais onde se encontram formas larvares ainda em desenvolvimento).

Neste caso os hospedeiros definitivos são os canídeos (cão e raposa) e os hospedeiros intermediários são o caracol e a lesma.

As raposas são também hospedeiros reservatórios deste parasita. Com o aumento da população de raposas (animais silvestres sem acesso a tratamento), o número de cães diagnosticados com Angiostrongilose também tem vindo a aumentar.

Ciclo de Vida do Angiostrongylus vasorum

O Angiostrongylus vasorum, ou Parasita do Pulmão, é um pequeno verme que, desde o ovo ao parasita adulto, passa por 5 estádios larvares (L1, L2, L3, L4 e L5). Assim se processa o seu ciclo de vida:

1. Os canídeos infetam-se ingerindo caracóis ou lesmas contaminados com formas larvares (L3). Os canídeos também se infetam ingerindo água ou erva húmida contaminada pelas secreções de caracóis e lesmas.

2. As larvas ingeridas vão até ao intestino delgado do cão e migram para os gânglios linfáticos onde permanecem até dar origem a formas larvares mais desenvolvidas (L4 e depois L5).

3. As larvas depois migram, através do sistema linfático, até entrarem na corrente sanguínea. Atingem o ventrículo direito e as artérias pulmonares. É aqui que ocorre o desenvolvimento final e os parasitas atingem a sua forma adulta.

4. No ventrículo direito e artérias pulmonares do cão, passam a existir formas parasitárias adultas, a reproduzir-se ativamente. As fêmeas de Angiostrongylus vasorum libertam ovos na corrente sanguínea. Os ovos atingem os capilares pulmonares onde se inicia o desenvolvimento de novas larvas (L1).

5. Estas novas larvas atravessam as paredes dos brônquios e os alvéolos pulmonares, entrando nos pulmões. O cão tosse, o que ajuda as larvas a “subirem” até à faringe, onde são engolidas. As L1 percorrem todo o trato gastrointestinal até serem eliminadas para o exterior juntamente com as fezes. Estas larvas conseguem manter-se vivas durante vários dias.

6. Os caracóis e lesmas ingerem estas fezes contaminadas. Dentro deles, as pequenas larvas crescem (de L1 para L2 e depois L3) até se tornarem formas larvares infetantes. A partir daí, os parasitas estão prontos para infetar um novo canídeo.

Os parasitas adultos podem manter-se vivos durante todo o tempo de vida do seu hospedeiro. Deste modo, as infeções têm tendência a ser crónicas.

Embora qualquer cão possa ser afetado por este parasita, os cachorros são os mais suscetíveis. Pode dever-se ao facto de os cachorros serem mais curiosos e quererem experimentar tudo com a boca (incluindo ingerir caracóis e lesmas). Por este motivo, é fundamental haver um cuidado especial com o programa de desparasitação dos cães mais novos.

 

Quais são as lesões que os cães infectados podem sofrer?

 

Um cão com Parasita do Pulmão pode estar sem sintomas durante muito tempo. As alterações podem ser ligeiras, no início da doença. Mas, em estados avançados, o parasita pode causar a morte do seu hospedeiro.

Ao conhecermos o trajeto do parasita no interior do organismo do cão, conseguimos compreender melhor as lesões que podem surgir. As principais alterações verificadas na Angiostrongilose são, cardiorrespiratórias, hematológicas e neurológicas. Como os sintomas inicialmente podem ser ligeiros, é difícil aos tutores detetarem alterações que indiquem que o seu cão necessite de ajuda médica. Assim, muitos cães só são diagnosticados quando a doença alcançou já uma fase crónica, mais grave.

Que alterações podem ocorrer no corpo do nosso cão?

  • Alterações Cardiorrespiratórias
    • os ovos dos parasitas que atingem os pulmões e a migração das larvas causam irritação e inflamação. O aspeto dos pulmões altera-se e com isto surge sintomatologia respiratória (desde tosse ligeira, até dificuldade respiratória severa).
    • os parasitas adultos no interior das artérias pulmonares e do ventrículo direito, levam a um esforço no trabalho cardíaco e lesão no interior destes vasos. Há risco de trombose, hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca congestiva e hemorragias pulmonares.
  • Alterações Hematológicas e de Coagulação
    • diversos tipos de hemorragias (desde pequenas e localizadas, até severas e que colocam o animal em risco de vida).
    • podem ocorrer perdas de sangue significativas na urina, através do nariz ou boca, hemorragias na pele (petéquias e equimoses) ou nos olhos.
  • Alterações neurológicas
    • os problemas respiratórios e cardíacos podem impedir irrigação sanguínea e oxigenação cerebral suficiente.
    • os problemas de coagulação e hematológicos podem causar hemorragia ou trombose cerebral.
    • excecionalmente, pode ocorrer a migração de larvas parasitárias até ao cérebro do canino afectado (denominadas migrações erráticas dos parasitas)
  • Morte: pode ocorrer, especialmente quando não se previne nem se deteta a doença atempadamente. Os eventos responsáveis são geralmente a insuficiência respiratória muito grave ou hemorragias severas.

 

Zonas de risco

 

O Parasita do Pulmão foi primeiro identificado em França. Durante muitos anos, os casos descritos de Angiostrongilose canina estavam limitados a zonas muito específicas e bem localizadas. O parasita aparece em zonas onde o clima é temperado e húmido.

Com as alterações climáticas, o aumento de cães a viajarem com os seus tutores de um país para outro e o incremento da população de raposas próximas das zonas urbanas, tem-se visto um aumento dispersão da Angiostrongilose.

Em Portugal já foram detetados casos positivos no Norte, Centro e Sul do país. Há indícios de que o parasita se encontra disperso por todo o território nacional, considerando-se uma doença parasitária emergente. É muito provável que vejamos nos próximos tempos cada vez mais cães com esta doença.

É muito importante para a saúde dos nossos cães que cumpramos planos de desparasitação eficazes que previnam também o Parasita do Pulmão. Só desta forma podemos manter protegidos os nossos amigos e travar a dispersão parasitária pelo território nacional.

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Parasitas em cachorros – como, quando e porquê prevenir

É  muito importante compreender o risco que constituem os parasitas em cachorros, e perceber como, quando e porquê desparasitar é uma das bases mais importantes para ser um tutor responsável.

Os parasitas, são agentes patogénicos. Vivem “hospedados” noutros animais e  podem causar problemas de saúde graves nos cães, principalmente nos primeiros tempos de vida. Desta forma, é muito importante que seja feita uma correta desparasitação dos cachorros!

 

 * Mas afinal que parasitas podem afetar os cachorros?

 

Quando falamos de parasitas dos cães, a maiorias das pessoas pensa imediatamente em pulgas e carraças.  Estes são aqueles que se conseguem ver, são parasitas externos, significa que parasitam o hospedeiro externamente. Por esse motivo conseguimos vê-los na pele dos nossos amigos patudos.

A grande maioria dos tutores, no que toca a proteger os seus animais contra parasitas, preocupa-se quase exclusivamente com os parasitas externos. Contudo, são muitos mais aqueles que afetam internamente os cachorros, internamente.

Os parasitas podem causar estados severos de doença, conduzindo, inclusivamente à morte, nos casos mais graves. Para além disto, alguns dos parasitas dos cães podem igualmente contaminar o ser humano. As crianças, idosos e pessoas com imunidade diminuída, são aqueles em maior risco de desenvolver doença parasitária se se infetarem com parasitas.

Por este motivo, é fundamental os donos saberem que tipo de parasitas podem atingir o seu animal, bem como o ser humano. Saber que não existem só parasitas que conseguimos ver. No interior dos cachorros podem viver agentes parasitários.

 

Assim sendo, tem que haver preocupação em eliminar os parasitas externos, bem como os internos. Só assim se protege completamente, quer o cachorro, quer toda a família.

 

Podemos dividir, de uma forma um pouco generalista, os parasitas em dois grupos: os Externos ou Ectoparasitas e os Internos ou Endoparasitas.

 

Parasitas Externos

 

Já vimos que os parasitas externos mais comuns são as carraças e as pulgas. Estes para além da irritação cutânea e prurido que causam, também podem ser responsáveis pela transmissão de várias doenças.

A doença mais comum associada aos parasitas externos é a conhecida “febre da carraça”, que na realidade não é uma doença, mas um conjunto de doenças causadas por parasitas sanguíneos transmitidos por carraças.

Ou seja, as pulgas e as carraças, são sobretudo perigosas para os cachorros, e para o resto da família humana por servirem como veículos- vectores- de outros parasitas (além dos que provocam a febre da carraça, também outros parasitas intestinais podem ser transmitidos por pulgas ou carraças), podem também que podem ser muito perigosos para o cachorro e para os tutores.

 

Parasitas Internos

Os parasitas internos, podem alojar-se em várias zonas do corpo, afetando diferentes órgãos do animal. Temos Vermes redondos ou Nemátodes (vulgarmente conhecidos por lombrigas) e Vermes achatados e segmentados ou Céstodes (vulgarmente conhecidos por ténias).

Muitos destes podem ser transmitidos aos cachorros pela mãe, durante a gestação e/ou amamentação. Outros são transmitidos por picada de mosquitos, ou ingestão de parasitas que estão no ambiente ou entram o hospedeiro através da pele.

Para simplificar, dentro dos endoparasitas temos:

 

Parasitas gastrointestinais

Quando se pensa em parasitas gastrointestinais tende-se a pensar apenas nas ténias, mas existem muitos tipos diferentes de parasitas, e as ténias (parasitas da família Taenidae, como as ténias ou os equinococos) nem sequer são os únicos Céstodes (vermes achatados e segmentados) perigosos para cachorros e tutores. Os parasitas gastrointestinais adultos alojam-se no sistema digestivo, mas as suas formas larvares passam por mais órgãos do corpo. É muito importante perceber que a maior parte destes parasitas afectam não só os cachorros mas também as suas famílias humanos, e sobretudo quando existem crianças em casa, é muito importante controlar as infecções.

Exemplos: Toxocara canis (especial atenção ao risco de transmissão aos tutores), Ancylostoma caninum ou Dypilidium caninum.

 

Parasitas do coração

Dirofilariose, o parasita (dirofilaria immitis) é transmitido através da picada de mosquitos. As formas adultas vivem no interior do coração e grandes vasos sanguíneos, causando doença cardíaca severa e morte, se não tratada.

 

Parasitas pulmonares

Angiostrongilose, é uma doença muito grave, a aumentar gradualmente o número de casos registados. Os animais parasitam-se com Angiostrongylus vasorum, ingerindo caracóis ou lesmas que contenham no seu interior larvas deste parasita. As formas adultas alojam-se nas artérias pulmonares, mas as formas larvares desenvolvem-se nos gânglios linfáticos de todo o corpo e depois  migram até atingirem o coração e artérias pulmonares . A doença é muito grave, com sintomas severos e vários, que podem ir desde sintomas respiratórios, neurológicos, problemas de coagulação, alterações de visão e morte súbita.

 

Prevenção

Por todos estes motivos, é imprescindível que cada vez mais se proceda a uma correta desparasitação. Não só pela saúde dos patudos, mas também pela da sua família. Não controlar apenas parasitas visíveis! Nunca esquecer que os parasitas internos existem e são muito prejudiciais.

Um cachorro sem parasitas, crescerá muito mais saudável e  reduz-se o risco de contaminação familiar.

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Tenho um cachorro. E agora?

Ser tutor de um cachorro é uma aventura especial e altamente recompensadora. A chegada de um cachorro a casa é sempre um momento de imensa diversão, mas também de algumas dúvidas, receios e responsabilidades.

Muitos tutores têm incertezas sobre assuntos como a alimentação, desparasitação, vacinas ou saídas à rua. Embora a resposta a estas questões possa variar um pouco de caso para caso, tem por base o mesmo princípio – a saúde em primeiro plano.

 

Preparativos

 

Antes de mais, a saúde tem início em casa. Antes de receber o seu patudo, faça alguns preparativos para garantir maior conforto: prepare uma cama, comedouros e bebedouros adequados ao tamanho do seu patudo, adquira alimento para cachorro (seco ou húmido), tenha alguns resguardos à mão e proteja áreas que possam ser perigosas para um pequeno explorador.

 

Uma vez em casa, é natural que o seu pequeno patudo leve algum tempo a ajustar-se ao seu novo ambiente. Aproveite para observar o comportamento do seu patudo e registe aspectos sobre os quais poderá ter dúvidas se são normais ou não.

 

Primeira visita ao veterinário

 

 

Nos dias seguintes, e tão breve quanto possível, deve organizar uma visita ao Médico Veterinário para um exame geral.

 

Nesta primeira visita ao Médico-Veterinário, que tem por objectivo verificar o estado de saúde do seu patudo, poderá discutir o plano de saúde mais adequado ao estilo de vida do seu cão. Desta forma, terá também a oportunidade de esclarecer outras dúvidas que tenha.

 

Os planos de saúde dos cães contemplam vários aspectos e são sempre ajustados às suas particularidades. A vacinação, desparasitação e alimentação podem ser variáveis entre os cães.

 

Vacinação

 

Sobre a vacinação, lembre-se que é fundamental e altamente recomendada na protecção dos cachorros contra agentes infecciosos. É uma forma segura e eficaz na prevenção de muitas doenças infecciosas graves, e por vezes fatais, como a parvovirose, esgana ou leptospirose.

 

Por norma, os cachorros podem iniciar o seu protocolo vacinal a partir das 6-7 semanas, e devem completar a sua vacinação essencial até às 16 semanas de idade.

 

Por requisitos legais, a vacina anti-rábica deve ser administrada a partir dos 3 meses de idade.

 

Consoante a sua zona geográfica e o estilo de vida do seu patudo, o seu Médico Veterinário poderá recomendar a administração de vacinas adicionais durante o crescimento do seu cão, como por exemplo recomendar vacinação para a leishmaniose ou para a chamada “febre da carraça”.

É importante referir que as vacinas do seu cachorro não actuam de forma imediata, e por isso deve evitar os passeios na rua até indicação do seu Médico Veterinário.

 

Sociabilização

 

Uma vez que a sociabilização é um período muito importante para a vida do seu cachorro, existem protocolos vacinais que permitem uma sociabilização  mais segura.

 

O período de sociabilização dos cachorros decorre entre as 3 e as 16 semanas de idade, e neste período, é fundamental que o seu patudo aprenda comportamentos correctos tanto com a mãe e os outros membros da ninhada, como com os tutores – a partir do momento que estão na sua nova casa.

 

Nesta fase, deve apresentar o maior número de estímulos ao seu cachorro, desde pessoas, a sons ou ambientes. Lembre-se que o contacto com outros cães deve ser limitado a animais que estejam devidamente protegidos, com vacinação e desparasitação em dia.

 

Desparasitação

 

Sobre a desparasitação do seu cachorro, essa necessidade será também discutida numa primeira visita ao Médico-Veterinário.

 

Alguns parasitas são bem conhecidos: pulgas, carraças e piolhos encontram-se na pele e no pêlo dos nossos patudos, e são descritos como parasitas externos. São os mais memoráveis talvez por serem também os mais visíveis.

 

No entanto, existem também parasitas que podem ser encontrados em órgãos e cavidades internas dos nossos cachorros – os chamados parasitas internos.  O intestino, pulmões e o coração são alguns dos locais onde estes parasitas se podem alojar e provocar doenças graves.

 

Embora alguns destes parasitas internos possam ser transmitidos aos cachorros durante a gestação, a maioria dos agentes parasitários podem ser adquiridos nos passeios, pelo contacto com outros animais e através dos diversos hábitos dos nossos patudos – o farejar, lamber, morder, etc.

 

O controlo destes parasitas internos e externos é essencial, não só pelo perigo que representam para os nossos animais, mas também pelo potencial risco de transmissão de outros agentes infecciosos que contenham e mesmo pelo risco de transmissão de alguns parasitas aos tutores.

 

Assim, é aconselhável uma desparasitação regular com produtos eficazes e adequados ao porte do seu cachorro. Consoante a sua área de residência, o seu Médico-Veterinário poderá recomendar um controlo mensal de determinados parasitas endémicos.

 

Alimentação

 

A verdade é que a alimentação e o crescimento andam de mãos dadas, e uma boa a dieta é a base para um crescimento saudável.

 

É através da alimentação que o seu cachorro recebe a energia e os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. A todos os instantes, deve garantir um alimento de qualidade e adequado à fase do crescimento do seu cachorro.

 

Questões sobre o número de refeições por dia e quantidades de alimento são variáveis consoante a idade e o porte do seu cachorro. Geralmente, numa fase inicial é recomendado praticar um maior número de refeições por dia, e  com o crescimento reduzir a duas ou três, consoante o que for mais apropriado e fácil para os tutores.

 

A dieta que escolher para o seu patudo deverá vir acompanhada por uma tabela com as quantidades de alimento a administrar ao seu cão. Numa fase inicial poderá guiar-se por ela, mas procure sempre aconselhar-se com o seu Médico-Veterinário.

 

Existem diversas formulações, secas ou húmidas, com diferentes tamanhos e com diferentes ingredientes. A dieta deverá ser sempre ajustada ao porte do seu cão, e se for alimentação seca então deve ter um grão de tamanho adequado ao seu cachorro.

 

Alguns cachorros, enquanto jovens, podem preferir o alimento húmido, e esta preferência pode estar relacionada com a dentição do seu patudo.

 

A dentição de leite, que surge entre as 3 e as 8 semanas de idade é substituída pela dentição definitiva entre os 4 e os 6 meses.

 

À medida que a dentição vai surgindo é natural que o seu cachorro sinta necessidade de morder alguns objectos. É um comportamento natural, e deve orientar esta vontade de mordiscar para brinquedos adequados ao seu porte.

 

Esterilização – sim ou não?

 

Na sequência destas consultas, deve também aproveitar para discutir a  possibilidade de esterilizar o seu cão. As esterilizações são procedimentos cirúrgicos que têm por objectivo a remoção de órgãos reprodutivos (ovários ou testículos), e idealmente devem ser realizados quando os animais são jovens.

 

Existem alguns benefícios de saúde em esterilizar os nossos patudos, tanto machos como fêmeas, e o seu Médico-Veterinário poderá esclarecer quaisquer dúvidas que tenha nesse sentido.

 

A todos os instantes deverá manter um estilo de vida saudável, mantendo uma alimentação de qualidade, realizando exercício físico e mantendo o plano de saúde do seu patudo em dia.

 

São recomendáveis, no mínimo, duas visitas por ano ao Médico Veterinário para assuntos de saúde e, a qualquer momento, para a monitorização do peso.

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E depois do sopro – será que o meu cão vai ter uma insuficiência cardíaca?

Como se deteta um sopro cardíaco?

A auscultação cardíaca é uma ferramenta fundamental na avaliação dos sons cardíacos e assim detetar os primeiros sinais de doença cardíaca. A forma mais comum de detetar um sopro cardíaco é através da auscultação com um estetoscópio.

Frequentemente, os sopros cardíacos são detetados acidentalmente. Ou seja, são detetados sem que haja ainda qualquer sintoma de doença cardíaca. Assim, a auscultação é de extrema importância nas consultas e deve ser realizada em todas as ocasiões.

 


Como se distingue um sopro dos sons cardíacos normais?

Os sons cardíacos resultam da passagem do sangue através das câmaras cardíacas e dos grandes vasos, responsáveis pela circulação do sangue pelo organismo.

De uma forma breve, num coração saudável são audíveis dois sons principais – muitas vezes descritos como “lub-dub”. Estes sons correspondem ao encerramento das válvulas do próprio coração e das válvulas dos grandes vasos sanguíneos.

Quando o sangue passa dos átrios para os ventrículos dá-se o encerramento das válvulas que separam “o interior” do coração (a Mitral e a Tricúspide). Este encerramento é o primeiro som cardíaco – “lub”. O segundo som audível, o “dub”, corresponde ao encerramento das válvulas dos vasos que levam o sangue para fora do coração (a aorta e a artéria pulmonar).

Estes sons repetem-se ao longo do ciclo cardíaco e permitem avaliar a função cardiovascular.

Num coração saudável, os sons cardíacos (“lub-dub”) são normalmente de curta duração. Os sopros, por outro lado, têm uma duração maior e podem ser auscultados em períodos do ciclo cardíaco que seriam normalmente silenciosos.

Como descrito, os sopros correspondem à passagem de sangue num sentido oposto ao fluxo sanguíneo, por falha no encerramento adequado das válvulas cardíacas.

Quando detetados, os sopros cardíacos são classificados consoante são auscultados durante a contracção cardíaca ou durante o relaxamento. Também se classificam consoante a sua localização e a sua intensidade.

Uma vez identificado um sopro cardíaco, mesmo na ausência de sinais clínicos, devem ser realizados outros exames complementares de diagnóstico. A radiografia torácica e a ecocardiografia permitem avaliar a morfologia cardíaca e garantir uma base de referência para avaliar a progressão da doença cardíaca. Estes exames também permitem adequar o tratamento necessário para retardar a evolução da doença.

 


De que forma ajudam os outros exames no diagnóstico da doença da válvula mitral?

A radiografia torácica permite avaliar diversas características cardíacas, entre as quais a avaliação da dimensão do coração e das suas câmaras. O coração com um sopro causado por doença da válvula mitral pode, inicialmente, não ter qualquer alteração de tamanho. Com a progressão da condição, o coração tende a aumentar de tamanho. A esse aumento chama-se cardiomegália.

Avaliar se existe um aumento significativo no tamanho do coração é de extrema importância. Cães com doença da válvula mitral e com cardiomegália apresentam maior probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca congestiva num espaço de 12 a 24 meses, do que cães sem cardiomegália.

Diagnosticar cardiomegália permite assim fornecer um prognóstico sobre a condição dos pacientes e permite aos médicos veterinários desenhar um plano terapêutico apropriado.

Outra ferramenta igualmente útil, é a avaliação cardíaca através de ecografia. A ecocardiografia permite avaliar a morfologia e dimensão das câmaras cardíacas, a função das válvulas e o fluxo sanguíneo. Esta avaliação ecocardiográfica é útil para confirmação de cardiomegália e para o estadiamento da doença.

O diagnóstico e a avaliação da doença cardíaca pode ser, muitas vezes, desafiante. Por isso poderá ser necessário recorrer a um médico veterinário especialista em cardiologia.

 


Quando se deve iniciar o tratamento?

Ao ser detetado um sopro cardíaco, depois de realizados os exames complementares de diagnóstico, deverá ser orientado um plano de tratamento.

Atualmente os estudos demonstram que é vantajoso iniciar terapêutica em cães com doença da válvula mitral e com cardiomegália confirmada. Isto, mesmo antes de surgirem sinais clínicos como intolerância ao exercício, tosse ou problemas respiratórios.

Animais nestas condições, dizem-se numa fase pré-clínica (anterior ao desenvolvimento de sinais clínicos). O objectivo de iniciar uma terapêutica nesta fase, é o de prolongar ao máximo o tempo de vida dos pacientes diagnosticados com doença degenerativa da válvula mitral.

Na verdade, com a medicação adequada, é possível retardar o aparecimento de sinais clínicos e prolongar o tempo de vida durante meses.

Assim, um diagnóstico atempado é fundamental!

Dado que é uma condição tão frequente, é de extrema importância realizar check ups regulares a todos os cães de maior idade, especialmente nos cães com predisposição conhecida para doença da válvula mitral.

Aos pacientes a quem já foram detetados sopros cardíacos, é recomendada a realização de exames complementares de diagnóstico. Estes exames devem ser repetidos de forma regular. O ideal é acompanhar a evolução da doença e adaptar o tratamento.

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Porque é que o meu cão tem um sopro cardíaco?

O que é um Sopro Cardíaco?

O sopro cardíaco é um sintoma que se pode detetar à auscultação cardíaca durante um exame físico . Surge devido a fluxo de sangue de velocidade elevada e turbulento através das válvulas cardíacas.
Ocorre normalmente quando existe mau funcionamento das válvulas cardíacas e das grandes artérias. Mas também pode ocorrer devido a defeitos congénitos do coração, dilatação cardíaca ou mesmo em situações sem patologia cardíaca (p.ex. anemia).

O coração é composto por 4 cavidades: o átrio esquerdo, o átrio direito, o ventrículo esquerdo e o ventrículo direito. O coração contém 4 válvulas: a válvula mitral, a válvula tricúspide, a válvula aórtica e a válvula pulmonar.

As válvulas são compostas por umas estruturas em folha finas que se fecham quando o coração se contrai, evitando o retrocesso do sangue. Elas abrem quando o coração relaxa, fazendo com que o fluxo sanguíneo se faça num sentido único.

O mau funcionamento valvular pode dever-se a problemas de desenvolvimento ou a patologias adquiridas ao longo da vida do animal. Ao haver obstrução ao normal fluxo sanguíneo ou incorrecto encerramento das válvulas cardíacas, surge um sopro.

Muitas são as doenças que podem levar ao desenvolvimento de sopros cardíacos, entre as quais se destaca a Doença da Válvula Mitral – a causa mais importante e frequente de doença cardíaca nos cães.

O que é a Doença da válvula mitral?

A Doença degenerativa da válvula mitral, também chamada Doença Mixomatosa da Válvula Mitral (DMVM) é a doença cardíaca que mais afecta os cães.

Como a progressão da doença é lenta, o período em que os cães afetados não mostram sintomas é normalmente longo.

Sabe-se que a doença afecta mais frequentemente cães machos de meia idade e idosos e tem maior incidência nas raças pequenas.

Há alguma predisposição especial de algumas raças?

Algumas raças são particularmente predispostas a esta doença. As raças mais afectadas são:
* Cavalier King Charles Spaniel (nesta raça existe hereditariedade genética desta patologia)
* Caniche
* Whippet
* Yorkshire Terrier
* Chihuahua
* Shih-Tzu
* Schnauzer miniatura
* Teckel

Existem também raças de maior porte afectadas com alguma frequência, como o Border Collie e o Pastor Alemão.

A doença é tão comum que existem estudos que apontam que 3% de todos os cães que vão ao veterinário para uma consulta de rotina (p.ex. vacinação) tenham esta patologia. Ou seja, os tutores não notam qualquer alteração no estado geral do cão e no exame físico não se detectam sinais de insuficiência cardíaca. No entanto, quando o veterinário ausculta o cão, é detectado um sopro cardíaco.

O que causa a Doença da Válvula Mitral?

A válvula mitral separa as duas câmaras cardíacas esquerdas do coração. O átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Nos animais com DMVM, o tecido que constitui a válvula mitral fica alterado, degenera-se.
Isto leva a que a válvula se vá tornando mais espessa e irregular. Esta alteração da válvula faz com que, de cada vez que o coração contrai, a válvula não fecha corretamente. Esta válvula tem uma função muito importante, impedindo que o sangue que sai do ventrículo esquerdo para o corpo todo, faça refluxo para o átrio esquerdo de onde veio. O sangue no interior do coração flui dos átrios para os ventrículos.

Nos animais, com DMVM, há uma porção de sangue que volta “para trás”, do ventrículo para o átrio. Esta regurgitação provoca uma turbulência que é audível à auscultação com estetoscópio. É o som desta turbulência que constitui o sopro.

À medida que a doença progride, o coração vai-se dilatando e vão surgindo sintomas de insuficiência cardíaca congestiva.

É uma doença crónica de progressão lenta que não tem cura, por isso os tratamentos que existem servem sobretudo para retardar a doença, prolongando o tempo de vida dos pacientes.

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