Leucemia felina – cuidados com o gato FeLV-positivo e como prevenir a doença

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Infelizmente, ainda não existem tratamentos capazes de curar a Leucemia Felina (FeLV). Por isso, ter um gato com Leucemia Felina pode ser um desafio. Contudo, tomando os devidos cuidados em casa e com o devido aconselhamento e acompanhamento médico-veterinário, é possível garantir uma boa qualidade de vida a gatos FeLV-positivo.

 

Desta forma, a confirmação que um gato é FeLV-positivo, por si só, não deve ser motivo para considerar a eutanásia.

 

Considerações ambientais

 

Uma consideração importante no maneio de gatos com Leucemia Felina é a gestão do espaço e interacção com outros gatos. Uma vez confirmado que um gato tem Leucemia, o acesso deste ao exterior deve ser totalmente restringido e, se possível, que seja o único gato em casa.

A restrição do acesso ao exterior previne que outros gatos possam ser infectados. Esta medida reduz os comportamentos de risco que aumentam a exposição ao vírus. Além disso, também reduz potenciais infecções secundárias para o gato FeLV-positivo.

 

Quando há mais do que um gato em casa, todos os gatos devem ser testados para Leucemia.

Dentro de casa, a separação entre gatos FeLV-positivo e gatos FeLV-negativo deve ser considerada. Tendo em conta as propriedades do agente infeccioso e as suas formas de contágio, esta medida reduz a possibilidade de infecção e de gatos não infectados e é uma das formas de prevenção.

A introdução de novos gatos está desaconselhada, uma vez que isso pode provocar alterações na estrutura social. Estas alterações podem desencadear comportamentos de risco, como lutas e mordeduras.

 

Gatos inteiros FeLV-positivo, devem ser castrados. A castração evita comportamentos de risco de exposição e transmissão do vírus como fugas, lutas e estilos de vida errantes.

 

Nas habitações com mais de um gato, as zonas de alimentação devem estar separadas, com comedouros e bebedouros individuais, para animais infectados e não infectados. A passagem ou troca de objectos entre as mesmas deve ser evitada.

 

O vírus não sobrevive por muito tempo no meio ambiente sendo facilmente inactivado por detergentes e desinfectantes. Assim, a higiene das caixas de areia e de outros objectos com que os gatos contactam, pode ajudar a diminuir a carga viral.

 

Infelizmente, nem sempre é possível isolar gatos FeLV-positivo de gatos FeLV-negativo. Nestes casos, é recomendada a vacinação dos gatos não infectados.

 

Considerações na saúde de gatos FeLV-positivo

 

Como resultado de um sistema imunitário comprometido, os gatos FeLV-positivo podem ser particularmente vulneráveis a outras doenças.

Desta forma, é importante que os tutores saibam reconhecer alguns dos sinais mais comuns indicativos de doença em desenvolvimento:

 

  • Alterações no consumo de água e alimento
  • Eliminação (micção e defecação) inadequada
  • Alterações nos níveis de actividade
  • Alterações nos hábitos de dormir
  • Perda de peso
  • Alterações na vocalização
  • Stress

 

Gatos FeLV-positivo que não demonstrem sinais clínicos de doença devem manter um contacto próximo com o Médico Veterinário e fazer exames físicos completos e regulares. A avaliação de parâmetros sanguíneos e bioquímicos deve ser realizada, no mínimo, uma vez por ano.

 

Os tutores devem também ter particular atenção com a alimentação dos seus gatos. A alimentação de gatos com Leucemia Felina deve ser equilibrada, com proteína de boa qualidade, poucos hidratos de carbono e moderada em gorduras e no teor de humidade. As dietas cruas são desaconselhadas em gatos FeLV-positivo, pelo risco de exposição dos gatos a doenças bacterianas e parasitárias associadas a este tipo de dieta.

 

Apesar de se aconselhar a restrição total do acesso à rua, a vacinação de gatos FeLV-positivo contra outras doenças deve ser mantida. Da mesma forma, o controlo antiparasitário deve ser realizado com a devida frequência.

 

Nos gatos FeLV-positivo que demonstrem sinais de doença, a intervenção terapêutica precoce é a chave para o sucesso terapêutico. A maioria dos gatos FeLV-positivo consegue responder eficazmente aos tratamentos. Contudo, estes gatos poderão necessitar de planos de tratamentos mais longos e agressivos, sob monitorização rigorosa, até à sua recuperação.

 

Prevenção da infecção e vacinação

 

Existem diversas vacinas disponíveis para protecção contra FeLV, no entanto nenhuma garante protecção a 100%. Apesar de não impedir uma possível infecção, a vacinação de gatos saudáveis aumenta a probabilidade de neutralizar a infecção. Sempre que possível, devem ser administradas vacinas sem adjuvantes, de forma a minimizar a inflamação local resultante da inoculação.

Não existe qualquer benefício em vacinar gatos contra Leucemia Felina quando estes já são FeLV-positivo. É, por isso, importante testar os gatos de forma a identificar e isolar os que apresentam virémia.

 

Devem ser testados:

 

  • Todos os gatos, antes de serem introduzidos num ambiente doméstico;
  • Gatos de interior com acesso ao exterior ou que partilhem casa com gatos com acesso ao exterior;
  • Gatos que partilhem ambientes com gatos FeLV-positivo, sobretudo se manifestarem sinais de doença;
  • Gatos de interior que possam ter sido expostos a outros gatos com estado incerto de FeLV

 

A decisão de vacinar os gatos para Leucemia deve ser baseada numa análise de risco de infecção e do estilo de vida de cada gato.

 

Quando a vacinação é considerada apropriada, são necessárias duas administrações da vacina. A primeira dose é administrada a partir das 8 semanas de idade e a segunda cerca de 3-4 semanas depois. As novas indicações de vacinação consideram que um reforço pode ser realizado entre os 6 e os 12 meses após a última vacinação, e posteriormente a vacina poderá ser repetida na eventualidade de se manter o risco de exposição a FeLV.

 

Por norma, considera-se importante a vacinação de gatos que tenham acesso ao exterior ou que partilhem habitação com gatos com acesso ao exterior, gatos que habitem com mais do que um gato (sem testes prévios de FeLV) e de gatos que vivam com gatos FeLV-positivo.

 

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