Leptospirose – Quiz II

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Leptospirose em cães

Leptospirose – prognóstico, fatores de risco, prevenção

 Qual é o prognóstico da Leptospirose?

 

A Leptospirose é uma doença curável, contudo grave e potencialmente fatal. Estão descritas diferentes taxas de sobrevivência que variam consoante a localização geográfica e com os serovares suspeitos na infecção. Diferentes serovares afectam diferentes orgãos, podendo este ser um factor relevante para o prognóstico.

 

O período de hospitalização de cães infetados é variável com o serovar. Embora rondando em média os 8 dias, este período pode ser superior a 20 dias. Alguns estudos mostram que o período de tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento não influencia directamente a sobrevivência dos pacientes. No entanto, o sucesso do tratamento de leptospirose parece estar associado à estabilização dos parâmetros renais num intervalo de 14 dias.

 

Parâmetros bioquímicos, como o grau de leucocitose e de trombocitopénia (elevação de glóbulos brancos e diminuição de plaquetas, respectivamente), são indicadores que parecem afectar negativamente o prognóstico da recuperação. Além disso, o desenvolvimento de complicações respiratórias quando existe trombocitopénia grave, também está frequentemente associado a um desfecho pouco favorável.

 

Que vacinas existem?

 

Actualmente encontram-se disponíveis várias vacinas contra a leptospirose. Estas vacinas são formadas por bactérias inactivas de Leptospira spp, e são constituídas por serovares representativos de diferentes serogrupos.

 

Uma vez que existem vários serovares de Leptospira spp capazes de causar doença clínica nos cães, as vacinas geralmente incluem mais do que um serovar na sua constituição.

 

Assim, consoante o número de serovares, estas vacinas podem ser bivalentes (2 serovares), trivalentes (3 serovares) ou quadrivalentes (4 serovares).

 

As primeiras vacinas para leptospirose seriam bivalentes, contendo serovares  pertencentes aos serogrupos L. interrogans Canicola e Icterohaemorrhagiae. Contudo, a situação epidemiológica na Europa alterou-se e o número de serovares de Leptospira spp presentes nas vacinas foi atualizado. Atualmente as vacinas contêm os serovares que se sabem mais prevalentes.

 

Um ponto importante a considerar na vacinação contra a leptrospirose é o facto das vacinas actualmente utilizadas induzirem imunidade para o serogrupo dos serovares utilizados na vacina, contudo não garantem uma protecção cruzada eficaz para outros serogrupos existentes.

 

Desta forma, a vacinação contra leptospirose deve ter sempre em consideração os serovares de maior prevalência em cada região.

 

Em Portugal estão disponíveis vacinas bivalentes, trivalentes e quadrivalentes. De qualquer maneira é sempre importante consultar a bula das vacinas (para saber quais os serovares para os quais a vacina oferece proteção), e perguntar ao seu médico veterinário sobre qual a vacina mais adequada. O facto de uma vacina ter mais valências não implica necessariamente que seja a que confere mais proteção.

 

 

Quais os fatores de risco da Leptospirose? 

 

A leptospirose é uma doença amplamente difundida e, dada a existência de diferentes serovares de Leptospira spp capazes de causar a doença em cães, os factores de risco podem variar geograficamente.

 

No que diz respeito ao risco de leptospirose na Europa, os cães estão potencialmente expostos aos serogrupos Icterohaemorrhagiae, Australis, Canicola, Grippotyphosa e Sejroe. Estes serovares apresentam diferentes espécies como animais reservatório específicos, que incluem os cães, diversos animais selvagens, ratos e outros roedores.

 

Em Portugal, estudos realizados entre 1992 e 2011 demonstraram a presença destes mesmos serogrupos no país. No entanto as prevalências entre serogrupos são diferentes, revelando também uma variação de serogrupos em diferentes regiões. Ou seja, serovares presentes na região norte do país podem não ser os mesmos serovares encontrados na região sul.

 

O clima e as condições ambientais são também factores importantes a considerar no risco para leptospirose. Existem estudos que demonstram um aumento de incidência e surtos de leptospirose associados a períodos de elevada pluviosidade e cheias.

 

Desta forma, tendem a surgir mais casos de leptospirose canina nos meses de Outono, estação durante a qual a temperatura ambiente é adequada para a sobrevivência das leptospiras. Estas, apesar de não se multiplicarem fora de um hospedeiro, tendem a sobreviver em águas estagnadas ou correntes lentas. As leptospiras podem manter-se na água e em solo molhado durante longos períodos de tempo.

 

Neste sentido, podem considerar-se factores de risco acrescido:

 

  • cães que tenham acesso e bebam água de fontes não tratadas, como rios e lagos
  • cães expostos a animais selvagens e roedores, como cães utilizados em caça e que habitem em quintas ou zonas rurais
  • cães que nadem em águas não tratadas, estagnadas ou pantanosas
  • cães que habitem exclusivamente no exterior
  • cães que viajem para localidades rurais
  • cães que tenham contacto com animais de produção

 

A leptopspirose deve também ser considerada uma doença urbana e não apenas rural. Esta doença pode ser associada à proximidade a parques públicos e zonas recentemente urbanizadas. A razão desta associação deve-se ao facto de nestas zonas ser mais provável encontrar espécies reservatório urbanas (roedores).

 

Devo vacinar o meu cão?

 

A vacinação dos cães contra a leptospirose deve ter sempre em conta o estilo de vida, o comportamento dos cães e o conhecimento dos serogrupos mais prevalentes da região.

 

A vacinação é uma ferramenta importante na prevenção da doença. Existem uma série de motivos pelos quais o Médico Veterinário pode aconselhar a vacinar contra Leptospirose:

 

  • A vacinação reduz a probabilidade de infecção para os serogrupos presentes na vacina utilizada
  • A vacinação reduz a doença clínica e a mortalidade dos animais vacinados
  • A vacinação garante proteção contra a infecção renal e estado de portador renal
  • A vacinação protege da eliminação urinária de leptospiras

 

Tanto as declarações do Colégio Americano de Medicina Interna Veterinária (ACVIM) como do Consenso Europeu sobre Leptospirose em cães e gatos defendem o uso de uma vacina polivalente para cães em risco e a sua revacinação anual, se o risco se mantiver.

 

A vacinação contra Leptospirose é recomendada a partir das 8 semanas de idade. Quer em cachorros, quer em cães adultos são necessárias duas administrações espaçadas de 3-4 semanas.

 

A vacinação garante imunidade durante pelo menos 12 meses. A revacinação anual de cães em situações de risco é aconselhável. Cães que tenham sido previamente infectados por Leptospira spp e que tenham recuperado da doença também devem ser revacinados anualmente.

 

A vacinação dos cães tem também sérias implicações na saúde pública. Uma vez que a leptospirose é uma zoonose, doença passível de ser transmitida a humanos, a vacinação é um método útil de prevenção da infecção de outros cães e de pessoas. A vacinação interrompe o ciclo de transmissão do agente infeccioso a animais e pessoas, diminuindo a disseminação ambiental.

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Leptospirose – Quiz I

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Leptospirose – sinais, diagnóstico, implicações

O que é a Leptospirose?

A Leptospirose é uma doença infeciosa causada por uma bactéria pertencente ao género Leptospira. Estas bactérias estão disseminadas por todo o mundo e existem diferentes tipos. Este género de bactéria inclui cerca de 25 serogrupos diferentes e, cada serogrupo, inclui vários serovares distintos. Existem mais de 250 serovares diferentes de Leptospira. De uma forma muito simplista, afirmamos que existem várias espécies de leptospira e cada uma tem diferentes subespécies.

Consoante a zona geográfica assim teremos diferentes serovares presentes. Isto é, uns serovares são mais frequentes numas zonas e outros em outras áreas geográficas. Também se sabe que alguns serovares são mais agressivos que outros.

São bactérias que conseguem sobreviver por um período considerável de tempo no meio ambiente, em condições de humidade elevada e temperatura moderada. Por este motivo, períodos de chuvas e/ou cheias, em alturas do ano amenas e húmidas, teremos mais casos clínicos registados.

A Leptospira pode infectar e causar doença na maioria dos mamíferos. Os cães e gatos podem ser afetados, embora no caso dos gatos isto seja muito raro.

 

A Leptospirose é uma doença grave?

A Leptospirose é uma doença grave, que se pode manifestar de várias formas. No caso dos cães podemos ter animais assintomáticos ou com sintomatologia ligeira e inespecífica, até casos muito graves que conduzem à morte.

Consoante o serovar responsável, o quadro clínico pode ser mais ou menos grave. A mortalidade pode ir de menos de 1% até a uns assustadores, 50%.

Não existe uma predisposição de raça, idade ou sexo nesta patologia. O contacto com águas contaminadas (quer nadando, quer bebendo) ou com ambientes contaminados é um foco de infeção. Por exemplo:

  • explorações pecuárias, onde existem normalmente roedores
  • plantas contaminadas, ou objectos ou lixo (parques urbanos também possuem muitos roedores e são zonas de risco)

Nesta doença, existem ainda animais que se tornam portadores assintomáticos e que se transformam em reservatórios destas bactérias, eliminando-as para o meio ambiente através da urina e outras secreções corporais. É o caso de muitos roedores (ratos e ratazanas), mas também outros animais silvestres e animais que tenham recuperado da doença (durante um período, mesmo clinicamente recuperados, podem eliminar para o ambiente leptospira).

Importante referir que ao afetar quase todos os mamíferos, a espécie humana pode igualmente ser infectada. Trata-se de uma zoonose, pois animais doentes podem conduzir à infeção do Homem. Os humanos podem contrair leptospirose tal como os cães, contactando com urina e outras secreções corporais de animais infetados. O contato com objetos contaminados com este tipo de fluidos também pode ser um foco de infeção.

 

Que sinais apresenta um cão com Leptospirose?

Um cão infectado com esta doença pode apresentar sintomatologia muito variada. A sintomatologia também depende do tipo de serovar de Leptospira:

– alguns animais são assintomáticos

– outros cães apresentam sintomatologia ligeira não específica

– Outros vão apresentado vários sintomas diretamente relacionados com os órgãos que vão sendo afetados pela Leptospira (sintomas multi-sistémicos)

  • Anorexia (falta de apetite)
  • Febre
  • Fraqueza muscular e dores musculares
  • Prostração
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Desidratação
  • Icterícia (pele e mucosas com coloração amarela)
  • alterações da coagulação (raras nos cães)
  • alteração na produção de urina (pode aumentar ou diminuir drasticamente)
  • Aumento na ingestão de água
  • Insuficiência Hepática
  • Insuficiência Renal
  • Dificuldade respiratória (Hemorragias pulmonares)

 

 

Como se diagnostica esta doença?

O diagnóstico faz-se através de análises laboratoriais sorológicas e análises que detetem o agente infecioso ou o DNA deste. Estas análises são feitas em amostras de sangue, urina ou tecidos recolhidos.

É muito importante o recolher de uma história clínica (saber quais os ambientes que o animal frequenta e desde quando apresenta sintomas), o completo exame físico bem como o estado vacinal do cão examinado.

Importantes são, igualmente, a realização de exames auxiliares de diagnóstico como análise completa sanguínea (hemograma e perfil bioquímico para avaliar a função de múltiplos órgãos), ecografia abdominal e Rx Tórax. Estes últimos são fundamentais para se proceder em seguida ao tratamento mais adequado a cada caso clínico.

 

 

Se o meu cão estiver infectado, o que é que isso implica? 

 Qualquer cão infectado deve ser sujeito a tratamento e a uma vigilância cuidada, já que esta é uma doença que pode afetar outros animais e o Homem.

A Leptospirose é uma doença bacteriana, pelo que o tratamento passa pela administração de antibióticos. No entanto o tratamento e correção de todas as alterações que surgem devido a esta infeção são incontornáveis.

Em casos onde o animal apresenta insuficiência renal e/ou hepática normalmente são necessárias hospitalização e medidas de suporte mais ou menos complexas. Infelizmente nem todos os animais recuperam.  A morte é um desfecho em alguns casos, onde as lesões causadas não são reversíveis nem controláveis.

Não esquecer que durante o tratamento de cães com leptospirose, o cuidado e proteção do pessoal técnico (médico veterinário e enfermeiros) e dos tutores destes pacientes é fundamental para evitar infeção. Uso de luvas, desinfeção de mãos e evitar o contacto de pele e mucosas com urina destes pacientes é fundamental. A desinfeção das instalações dos cães em tratamento é necessária e é eficaz na eliminação das bactérias excretadas.

A Leptospirose é uma doença grave e com potencial zoonótico, mas existem disponíveis vacinas que conferem proteção contra alguns serogrupos. É importante entender que é preferível prevenir do que ter que tratar.

 

 

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