Será que preciso de desparasitar o meu gato, se ele não sai de casa?

Muitos tutores acreditam que não é necessário desparasitar os seus animais quando estes vivem apenas dentro de casa. Mas a verdade é que mesmo sendo animais exclusivamente de interior, existem formas pelas quais os nossos animais se podem infestar com parasitas, internos e externos!

Pulgas, ácaros, ténias e lombrigas continuam a ser uma ameaça para os nossos patudos de interior!

#1 –  O seu gato de interior não vai à rua…mas o tutor sim!

Diariamente, na nossa rotina, contactamos com diversos agentes parasitários e com frequência somos nós, os tutores, que levamos estes agentes para o interior das nossas habitações – por exemplo, ovos e estados imaturos de parasitas internos ou externos podem ser transportados na nossa roupa e sapatos para o interior das casas.

É importante referir que, por vezes, os ovos e estados imaturos de alguns parasitas (como por exemplo, das pulgas) podem sobreviver por longos períodos de tempo no meio ambiente, desenvolvendo-se quando as condições são oportunas ao seu crescimento. Além deste pormenor, é também de referir que as pulgas podem conter e transmitir também parasitas intestinais (ténias) aos nossos animais – caso os nossos patudos ingiram pulgas que estejam parasitadas!

#2 – Quando se é pequenino…

Quando as mães ainda gestantes não estão desparasitadas (interna e externamente), pode ocorrer transmissão de parasitas entre a mãe e os filhotes. Neste caso, é possível que os pequenotes apenas manifestem sinais por volta das 3 ou 4 semanas de idade. Enquanto não forem tratados, poderão libertar ovos de parasitas para o  meio envolvente, havendo possibilidade serem de novo parasitados no futuro.

#3 –  Outras companhias…

Na eventualidade do seu patudo partilhar o espaço com outros animais que tenham acesso ao exterior, se o animal que tem acesso ao exterior for alvo de parasitas, então é possível que o animal de interior seja dessa forma infestado.

Também não se pode excluir a possibilidade de alguns convidados indesejados, como roedores, moscas e outros insectos, serem uma fonte de parasitas (entre outros agentes infecciosos), e assim transportar e contaminar o ambiente de casa e o seu animal de estimação.

#4 –  Dietas cruas e caseiras

Alguns tutores optam por fornecer alimentos e ingredientes crus ou confeccionar a dieta em casa. Por ser uma possível fonte de infecção para os nossos animais, na eventualidade de fornecer alimentos crus deve ter o devido cuidado na escolha de alimentos em bom estado de conservação e higiene! Da mesma forma, ao confeccionar os alimentos deve prepará-los de forma higiénica, e certificar-se que foram cozinhados à temperatura e tempo adequados.

#5 –  Quando devo desparasitar

Contudo, os planos de desparasitação dos nossos animais devem ser sempre adequados à sua idade, condições médicas, região onde habita e como mencionado, ao seu estilo de vida. E assim sendo, podem ser algo variáveis!

Os planos preventivos podem ser iniciados a partir das 8 semanas de idade, e hoje em dia já é até possível usar produtos que combinam acção desparasitante interna e externa, de forma a tornar a sua utilização periódica regular mais fácil.

Aconselhe-se com o seu médico-veterinário sobre a frequência de desparasitação e o tipo de produto mais adequados para o seu patudo!

No caso de gatos ou outros animais de interior, é aconselhável realizar desparasitações regulares.

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Afinal porque é que as pulgas são perigosas

A pulga é um pequeno insecto da ordem Siphonaptera, com cerca de 3mm de tamanho e achatado longitudinalmente, o que facilita os seus movimentos entre penas e pêlos.

As pulgas não têm asas, mas podem saltar a uma distância até 50 vezes acima do seu tamanho!

A sua boca está adaptada para penetrar a pele: são parasitas externos, que se alimentam de sangue.

Mas… O que é um parasita?

Um parasita é um organismo que vive em outro organismo, chamado de “hospedeiro”. Usa-o para crescer e multiplicar-se e pode depender do hospedeiro ao longo de todo o ciclo de vida do parasita ou apenas durante uma parte da vida. Uma forma de classificar os parasitas é entre ectoparasitas (parasitas da parte exterior do corpo) e endoparasitas (parasitas da parte interior do corpo). A pulga faz parte do primeiro grupo.

Há várias espécies de pulgas que podem ser específicas para cada espécie de animal que parasitam, sendo que existem muitas espécies que afectam os mamíferos. No entanto, apenas 3% do total de espécies de pulgas afetam exclusivamente aves, pelo que é muito raro encontrar pulgas entre penas.

Aos cães atribui-se a espécie de pulgas Ctenocephalides canis, que pode infectar várias espécies, nomeadamente cães e gatos; aos gatos, atribui-se a espécie Ctenocephalides felis que longe de ser exclusiva dos felinos, infeta ainda mais hospedeiros e é mais ubiquitária, sendo muito comum encontrarmos cães infestados por C. felis.

Muitas espécies de pulgas utilizam outras espécies como hospedeiros. Assim, os seres humanos e outros animais podem ser picados por pulgas que existam no ambiente.

As pulgas utilizam o seu aparelho bucal para picar a pele: o principal efeito desta picada é o aparecimento de um inchaço (semelhante à picada de um mosquito) e, sobretudo, um prurido e comichão intensos.

Alguns animais são especialmente sensíveis! Estes podem desenvolver um problema chamado “Dermatite Alérgica à Picada da Pulga”, vulgarmente conhecido pela sigla DAPP. Os principais sintomas desta doença são:

  • Prurido intenso;
  • Queda de pêlo;
  • Mau estado do pêlo;
  • Inflamação da pele, que fica vermelha e pode mesmo desenvolver feridas infectadas.

Caso o seu animal desenvolva estes sintomas, deverá levá-lo com a maior brevidade possível a uma consulta com um Médico Veterinário. Este irá proceder ao início de um esquema de desparasitação, como veremos a seguir. Eventualmente, poderão ser necessários tratamentos adicionais. No caso de haver ferimentos com infecção associada, poderá ser necessária a administração de antibiótico, por exemplo.

Mas o principal problema associado à picada da pulga é o facto de estas transmitirem outras doenças, que podem ser muito graves, como vírus, bactérias ou mesmo outros parasitas.

Algumas destas doenças:

  • Rickettsiose: um parasita do sangue;
  • Dipylidium caninum: um parasita intestinal, tipo ténias, dos cães;
  • Haemobartonella felis : um parasita do sangue dos gatos, muito comum, que causa anemia e pode mesmo ser fatal;
  • Mixomatose: uma doença viral que afecta coelhos e que é quase sempre mortal.

Estas doenças causam sintomas que podem ser confundidos com outros problemas, como perda de apetite, perda de peso e febre. Assim, se o seu pet apresentar qualquer um destes sintomas, deve ser levado ao Médico Veterinário.

Também deve ser consultado por um Médico Veterinário se forem encontradas pulgas no pêlo, pele ou cama do seu animal. Outra forma de detectar a sua presença é procurando pelas vulgarmente chamadas “fezes de pulga”, que se apresentam como pequenos pontos negros (como “caspa negra”) acumulados em certas zonas do corpo, sobretudo no abdómen e junto à base da cauda. Para os encontrar, basta levantar com a mão o pêlo do seu animal, no sentido contrário ao seu crescimento.

Tudo isto pode parecer assustador! Felizmente, existem formas simples, económicas e muito eficazes para prevenir o aparecimento de pulgas.

A estes métodos chama-se “esquema de desparasitação”. Para o iniciar, tem de se ter em conta de que o ciclo de crescimento da pulga, desde a larva até à sua forma adulta, dura cerca de três semanas. Os ovos conseguem sobreviver por vários meses no ambiente, sendo que as pulgas preferem lugares secos e escuros para os deixar.

Existem várias marcas de desparasitantes, adaptadas às necessidades de cada animal e dos seus tutores. Existem várias formulações: como pipetas, coleiras, comprimidos e sprays. Cada produto/medicamento tem uma duração de eficácia definida, sendo que os produtos/medicamentos mais comuns podem ser eficazes durante um, três ou seis meses.

Os desparasitantes podem ser comprados em clínicas e consultórios veterinários, algumas lojas de animais e algumas farmácias. Atenção que aqueles considerados “Medicamentos de Uso Veterinário” e não Produtos, são exclusivos das clínicas ou na farmácia com receita veterinária. Antes de fazer a aplicação pela primeira vez, consulte o seu médico veterinário! O tipo de produto depende do peso e da idade do animal e, sobretudo, da espécie.

Nunca se deve administrar um desparasitante de um cão a um gato! Esta é a principal causa de envenenamento nos nossos animais de estimação!

As pulgas são um parasita comum, mesmo que os nossos animais nunca saiam de casa: elas podem vir agarradas aos sapatos e roupas dos donos e proliferar no ambiente da nossa habitação. Por vezes, basta pisar um lugar com relva para que o dono traga ovos para casa, que depois irão eclodir e parasitar os animais de estimação.

Caso o animal seja correctamente desparasitado e, mesmo assim, tenha pulgas recorrentemente, poderá ter uma infestação em casa! Nesse caso, deverá proceder a uma desinfestação geral, utilizando inseticidas próprios que não sejam tóxicos para animais. Também deverá lavar toda a roupa de cama e as camas dos animais, com água quente, e aspirar toda a casa com muito cuidado, sobretudo se tiver rodapés de madeira ou chão de tacos. Afinal, as pulgas apreciam os lugares escondidos, escuros e secos.

Este parasita é muito vulgar e causa muito incómodo aos nossos animais. Por vezes, até aos próprios donos! Caso detecte a presença de pulgas,fale com um profissional, que lhe poderá dar o melhor aconselhamento sobre que métodos utilizar para eliminar esta praga.

Diga não às pulgas! Faça sempre a desparasitação do seu animal!

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Os parasitas não fazem quarentena

A prevenção é o melhor tratamento contra os parasitas !

Mas para podermos preveni-los temos de saber o que são, como funcionam e quais as implicações na vida do nosso animal de estimação e também na vida da nossa família.

Apesar de estarmos a viver uma altura totalmente diferente, de incertezas e em que as saídas à rua dos nossos cães e gatos estão condicionadas e diminuídas, não podemos descurar a sua desparasitação.

Os parasitas não fazem quarentena e estão a postos para atacar os nossos animais de estimação se estes não estiverem protegidos!

Existem dois tipos de parasitas: os ectoparasitas (parasitas externos) e os endoparasitas (parasitas internos).

Temos como principais ectoparasitas:

  • • Pulgas
  • • Carraças
  • • Sarcoptes
  • • Demodex
  • • Octodectes

E como parasitas internos:

  • • Ascarídeos
  • • Ancilostomas
  • • Tricurídeos
  • • Dipylidium
  • • Dirofilária
  • • Angiostrôngilos
  • • Telázia

Um aspecto que não pode ser esquecido, é a importância que os parasitas têm e a maneira como influenciam a saúde humana e animal: Os parasitas externos são um problema por si mesmos, ao expoliarem sangue, causarem feridas e outros problemas dermatológicos e por poderem ser vectores de agentes infecciosos, ou seja, ao alimentarem-se no cão ou gato podem transmitir-lhe protozoários, bactérias e vírus causadores de doenças; estes micróbios têm muitas vezes potencial zoonótico, isto é, capacidade de também infectar os seres humanos, causando-lhes igualmente diversos problemas e pondo as famílias em risco.

Devemos apostar na prevenção, desparasitando interna e externamente os nossos animais e caso haja infestações fazer a desinfestação, a higiene e o controlo das áreas infestadas.

Mas como posso proteger o meu animal de estimação?

Conheça os tipos de parasitas, aprenda a reconhecer os sintomas de infestação, saiba quais os mais prevalentes na sua zona e conjuntamente com o seu Médico Veterinário elabore o programa de desparasitação mais adequado ao seu cão ou ao seu gato.

Como identifico os parasitas?
Parasitas externos:

As pulgas são de fácil reconhecimento, não só a nível visual mas pelos sintomas apresentados pelo animal como:

  • • Comichão
  • • Reacções de hipersensibilidade (Dermatite Alérgica à Picada da Pulga-DAPP)
  • • Lesões na região lombar
  • • Anemia (mucosas pálidas) em animais jovens muito infestados
  • • Perda de pêlo
  • • Crostas
  • • Infecções bacterianas secundárias

As pulgas podem transmitir outros agentes causadores de doenças ao animal:

  • • Bartonella
  • • Rickettsia
  • • Dipylidium (ténia das pulgas)

É importante não esquecer que apenas vemos a pulga quando adulta e que há outras fases (ovos, larvas e pupas) não visíveis por nós mas que também se encontram no ambiente. Numa infestação por pulgas, as adultas que vemos representam apenas 5%; os restantes 95% são os ovos, as larvas e as pupas.

As carraças são igualmente visíveis, alimentam-se do sangue do seu hospedeiro e além do desconforto associado à sua picada (como anemia, irritação cutânea, paralisia e problemas crónicos) podem transmitir doenças que podem ser fatais para os animais e mesmo para os humanos, se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo. Algumas das doenças que podem ser transmitidas por carraças são:

  • • Babesiose
  • • Borreliose ou Doença de Lyme
  • • Erliquiose
  • • Riquetsiose
  • • Anaplasmose

Os ácaros são parasitas da pele dos cães e gatos. Têm um tamanho muito reduzido pelo que não é possível vê-los sem recurso a instrumentos próprios e geralmente só notamos a sua presença pelos sintomas apresentados pelos animais.

Os mais comuns são:

  • • Octodectes – responsáveis por otites
  • • Sarcoptes – responsáveis pela sarna
  • • Dermodex – responsáveis pela Demodecose

Os principais sintomas causados pelas infestações de ácaros são:

  • • Comichão intensa
  • • Pústulas
  • • Lesões húmidas
  • • Crostas
  • • No caso dos Sarcoptes, existe risco de transmissão aos seres humanos (embora sejam causadores de uma dermatite diferente da sarna humana clássica)

As infecções provocadas por ácaros nem sempre são de fácil diagnóstico e tradicionalmente o seu tratamento é muito prolongado e demora algum tempo a fazer efeito. Tratamentos mais modernos atingem eficácia mais rapidamente, mas requerem sempre o atento cumprimento do protocolo pelos tutores.

Parasitas internos:

Podemos dividir os parasitas internos em gastrointestinais, cardiopulmonares e oculares:

Gastrointestinais:

Tricurídeos, Ascarídeos, Ancilostomídeos e Dipylidium

São parasitas intestinais geralmente conhecidos como ténias e lombrigas.

Os Ascarídeos (Toxocara, Toxascaris) encontram-se principalmente no intestino delgado e são transmitidos por ingestão de ovos disseminados no ambiente a partir de fezes infectadas de outros animais (daí a importância de recolher as fezes e colocá-las no lixo). Apesar de serem parasitas do intestino, fazem migrações, passando pelos pulmões e podem provocar sintomatologia pulmonar grave, como pneumonia. São parasitas zoonóticos, ou seja, podem também infectar humanos.

Os Tricurídeos encontram-se no intestino grosso onde se alimentam de sangue. A infecção faz-se também através da ingestão de ovos presentes no ambiente.

Os Ancilostomídeos vivem no intestino delgado dos cães, onde se alimentam arrancando pedaços do revestimento intestinal. A infecção por estes parasitas dá-se através da ingestão de larvas ou através da penetração das larvas na pele do animal. Também são parasitas zoonóticos.

Os parasitas Dipylidium são ténias, adquiridas através da ingestão de pulgas infectadas, quando os animais se coçam com os dentes. Os tutores dão pelas infecções quando observam nas fezes dos animais formas esbranquiçadas, por vezes móveis, com o aspecto de “bagos de arroz cozido”. Também pode ocorrer em humanos, portanto também é um agente zoonótico.

Os principais sintomas das doenças provocadas por estes parasitas são:

  • • Febre
  • • Perda de peso
  • • Anorexia
  • • Prostração
  • • Diarreia
  • • Vómitos
  • • Obstrução intestinal
  • • Desidratação

Muitas vezes os nossos animais de estimação podem não apresentar sinais até que a infestação por parasitas seja grande. No entanto, mesmo antes disso ocorrer, não só estão parasitados e sofrem os efeitos do parasitismo, como constituem um foco de infecção para outros animais e para a nossa família.

Cardiopulmonares:

Dirofilária 

As larvas de Dirofilaria immitis são transmitidas pela picada de mosquitos e são os agentes causadores de Dirofilariose, também conhecida por “doença da lombriga do coração”. Após a infecção, as larvas migram para as cavidades do coração e para as artérias pulmonares. Nessas localizações, provocam a inflamação das artérias pulmonares e impedem o normal trabalho cardíaco, acabando por afectar a circulação sanguínea em todo o corpo, e causando a forma crónica da doença. Os principais sintomas são:

  • • Tosse seca
  • • Cansaço, diminuição de actividade
  • • Anemia (mucosas pálidas)
  • • Icterícia (mucosas amareladas)
  • • Anorexia
  • • Colapsos súbitos durante o exercício

Angiostrôngilos

O parasita Angiostrongylus vasorum é também conhecido como “parasita do pulmão” e afecta sobretudo cães mais jovens. Os animais infectados podem ser assintomáticos ou apresentar os seguintes sinais:

  • • Tosse
  • • Dificuldade respiratória
  • • Cansaço
  • • Perda de peso
  • • Hemorragias por alterações da coaguação (p.ex. pelo nariz)
  • • Perda de apetite

Não é uma zoonose, mas há evidências de que este parasita é subdiagnosticado e têm aumentado os relatos de casos de infecção por este parasita nos cães em Portugal. A melhor maneira de garantirmos a sua eliminação é através de uma correcta desparasitação.

Oculares:

A Telázia é um parasita emergente na Europa incluindo Portugal. É transmitido por um tipo de mosca da fruta que, quando se alimenta das secreções lacrimais, deposita as larvas na superfície do olho.

Este parasita também tem potencial zoonótico, causando os mesmos sintomas nos animais e nos humanos:

  • • Lacrimação excessiva
  • • Conjuntivite
  • • Queratite
  • • Comichão
  • • Úlceras corneais
  • • Perfuração
  • • Cegueira
Qual a melhor forma de desparasitar o meu animal de estimação?

A desparasitação deve ser mensal de modo a eliminar os parasitas em todas as fases do seu ciclo e não apenas quando são visíveis ou os animais já apresentem sintomas de estarem parasitados.

A desparasitação mensal previne as infecções e infestações parasitárias, reduz o risco de contaminação ambiental e protege animais e humanos minimizando o potencial zoonótico.

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