Parasita do coração – diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico de doença do parasita do coração é simples

 

O diagnóstico de dirofilariose pode ser realizado com base na história clínica e evolução dos sintomas, juntamente com alguns exames laboratoriais.

 

Na maioria dos casos, um simples teste sanguíneo é suficiente para fazer o diagnóstico de doença do parasita do coração.

 

Atualmente é comum recorrer a testes serológicos para detetar a presença de parasitas adultos. Apesar de ser um teste muito fiável e que deve ser sempre realizado,  a sua validade depende da presença de parasitas fêmeas e de uma certa carga parasitária.

 

O parasita habita nos tecidos e órgãos do animal sob ambas as formas, imatura e adulta. Por isso, com uma amostra de sangue também é possível diagnosticar a doença, observando-se as formas imaturas ao microscópio.

 

Outras análises sanguíneas, como a hematologia e parâmetros bioquímicos, serão sempre úteis e necessárias para avaliar o estado de saúde dos animais afetados e se é seguro iniciar um tratamento.

 

Além disso, realizar radiografias torácicas e ecocardiografia são importantes para avaliar lesões pulmões, nos vasos e no coração – locais onde as formas adultas do parasita se alojam.

 

O tratamento não é livre de riscos

 

O tratamento do parasita do coração tem por objetivo melhorar a condição clínica e eliminar os parasitas adultos e formas imaturas, contudo não é livre de riscos.

 

Os parasitas podem ser eliminados através da administração de fármacos. Contudo, é necessário garantir o repouso absoluto do cão durante algumas semanas – pois existe o risco de causar embolias.

 

Ao morrerem, os parasitas vão sendo decompostos e encaminhados até aos pulmões, onde se alojam em pequenos vasos e são, eventualmente, eliminados pelo organismo.

 

É durante o período de eliminação dos parasitas adultos, que fragmentos dos mesmos podem causar embolias – sobretudo se a carga parasitária for elevada e houver lesões pulmonares concomitantes.

 

Assim, o tratamento exige o acompanhamento e monitorização contínua dos animais pelo Médico Veterinário.

 

A melhor aposta é a prevenção

 

A doença do parasita do coração, é uma doença com distribuição global e existem áreas de risco onde a doença é altamente prevalente – sobretudo em regiões de litoral, com clima quente e temperado ou tropical.

 

Em Portugal, as regiões da Madeira, Ribatejo, Alentejo e Algarve são consideradas endémicas, e por isso de alto risco de infeção.

 

A melhor forma de evitar o risco de infeção é através da prevenção. A prevenção deve ser feita durante todo o ano e não apenas durante os meses de maior atividade dos mosquitos.

 

Existem diversos métodos de prevenção contra a o parasita do coração, desde produtos veterinários em comprimidos, spot-on ou mesmo injeções de libertação lenta que atuam até 6 meses.

 

Antes de iniciar um protocolo preventivo de sempre aconselhar-se com o Médico Veterinário, uma vez que o despiste prévio da doença é essencial.

 

Um bom plano preventivo passa também pela utilização de repelentes de mosquitos no ambiente e por abrigar os animais de exterior nos períodos de atividade dos mosquitos – ao amanhecer e ao entardecer.

 

Consulte o seu Médico Veterinário, ele poderá indicar quais as medidas mais adequadas ao seu cão, tendo presente o local onde vive, a prevalência da doença e o estilo de vida do seu animal.

 

 

 

 

 

 

 

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Dirofilariose – a doença do “parasita do coração”

A dirofilariose é uma doença mundialmente comum e presente no nosso país, causada pelo parasita Dirofilaria. Existem diferentes espécies deste verme redondo, no entanto, as mais comuns são a Dirofilaria immitis e a Dirofilaria repens.

A forma mais usual e grave é causada por D. immitis. Por muitos denominada doença do “parasita do coração”, a dirofilariose é transmitida através da picada de mosquitos infetados com larvas de Dirofilaria.

Esta doença afeta essencialmente cães e felinos (domésticos e silvestres). No entanto, os humanos também podem ser infetados com o parasita, apesar de nestes casos o parasita não conseguir atingir a sua forma adulta.

Os cães são suscetíveis à infeção independentemente da idade. Já os gatos são os hospedeiros mais resistentes à doença e apresentam sintomatologia menos específica, sendo que muitos permanecem assintomáticos durante longos períodos. Por este motivo, o diagnóstico nos gatos é mais difícil.

 

Como se transmite a Dirofilariose?

 

Esta doença não se transmite diretamente de um animal para outro, pelo que é necessário um hospedeiro intermediário, que neste caso é o mosquito. No nosso país existem várias espécies diferentes de mosquitos capazes de transmitir a doença.

Quando um mosquito infetado com larvas de Dirofilaria pica um cão, as larvas são injetadas na corrente sanguínea. Consequentemente, passados cerca de 70 dias, as larvas atingem as artérias pulmonares do cão, onde se continuam a desenvolver. Ao fim de 120 dias, o parasita atinge a sua forma adulta ficando alojado nas artérias pulmonares e no coração. A reprodução parasitária inicia-se e novas larvas são libertadas para a corrente sanguínea. Estas larvas são depois ingeridas por mosquitos que se alimentem do sangue de animais infetados. Completa-se assim o ciclo de vida deste parasita.

 

Quais são os sintomas da Dirofilariose?

 

A Dirofilariose é uma doença grave e potencialmente fatal, especialmente nos cães.

Os sintomas surgem como consequência das lesões que estes parasitas causam no interior dos órgãos onde se alojam, bem como da obstrução que causam ao fluxo sanguíneo.

É uma doença crónica de progressão lenta. Numa fase inicial, os animais são assintomáticos. Os sintomas surgem numa fase já crónica da infeção, sendo os mais usuais:

  • cansaço
  • intolerância ao exercício
  • dificuldade respiratória
  • tosse persistente
  • síncope (desmaio)
  • perda de peso
  • falta de apetite
  • insuficiência cardíaca congestiva grave com aparecimento de edemas generalizados (abdómen distende-se muito – ascite)

Em casos severos da doença, principalmente nos casos de insuficiência cardíaca congestiva grave, surgem complicações muito severas, como tromboembolismos e síndrome da veia cava. Nestes casos a morte do animal é quase sempre inevitável. Uma vez instalados sintomas severos, o prognóstico é reservado, sendo a resposta ao tratamento muito limitada.

 

Quais as zonas geográficas de Portugal onde a doença é mais comum?

 

A Dirofilariose existe em quase todo o mundo, afetando principalmente zonas quentes ou temperadas e húmidas.

No nosso país, embora se registem casos em quase todo o território (à exceção dos Açores) a distribuição da doença é descontínua e endémica em determinadas zonas como:

  • zonas costeiras
  • regadio (baía do Sado, Vale to Tejo e Sorraia, zona do Mondego/Coimbra)
  • Ilha da Madeira.

Porém com as alterações climáticas e aumento da temperatura global, verifica-se uma tendência para a dispersão deste parasita. Por este motivo, veremos cada vez   mais casos fora destas zonas identificadas.

Todos os tutores, que vivam ou que viagem/passem férias com os seus animais em zonas de risco, deverão aconselhar-se com o veterinário assistente e realizar prevenção de Dirofilariose.

Tal como em outras doenças, a prevenção é importante e salva vidas!

 

 

 

 

 

 

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